DNOTICIAS.PT
Madeira

Marco Nunes despede-se da GNR da Madeira: "Foram a minha segunda família"

Coronel terminou funções após 14 anos na Madeira, os últimos três anos e dez meses como comandante territorial, e vai agora cumprir uma missão internacional na Frontex

Na despedida do Comando Territorial da GNR, Marco Nunes emocionou-se ao falar da família e numa carreira marcada por exigências e ausências.
Na despedida do Comando Territorial da GNR, Marco Nunes emocionou-se ao falar da família e numa carreira marcada por exigências e ausências., Foto Rui Silva/ASPRESS

Na despedida, emocionou-se ao agradecer aos militares, civis e respectivas famílias, deixando ao sucessor um conselho

A emoção marcou a despedida do coronel Marco Paulo Pereira Nunes do comando territorial da Guarda Nacional Republicana (GNR) na Madeira. Depois de mais de 14 anos ao serviço da instituição na Região, primeiro como segundo comandante e, nos últimos três anos e dez meses, como comandante, o oficial deixou uma mensagem de profunda gratidão aos militares e civis com quem partilhou o percurso, reconhecendo também os sacrifícios das respetivas famílias. O seu próximo quartel é uma missão internacional ao serviço da Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira - Frontex.

"É de forma muito sentida e emocionada que manifesto a todos, sem excepção, a honra e o imenso orgulho que levo por ter sido o vosso comandante", afirmou o oficial natural da Cova da Piedade (Almada), na cerimónia de tomada de posse do coronel José Arlindo Varela Pereira, um filho da terra a quem desejou os maiores sucessos pessoais e profissionais.

Num dos momentos mais emotivos do discurso, Marco Nunes recordou a forma "amiga e calorosa" como foi recebido na unidade, juntamente com a família, desde o primeiro dia. "Foram, sem qualquer dúvida, a minha segunda família durante estes anos", declarou.

O comandante cessante fez questão de atribuir os resultados alcançados ao empenho dos militares e civis do Comando Territorial da Madeira, destacando a dedicação, o profissionalismo, a disponibilidade e o espírito de sacrifício, muitas vezes com prejuízo da vida pessoal e familiar. Um reconhecimento que estendeu expressamente às famílias, pelo apoio prestado ao longo de uma carreira marcada por exigências e ausências.

Ao fazer o balanço do mandato, Marco Nunes, que foi o sétimo comandante a liderar o Comando Territorial da Madeira, salientou a aposta numa unidade mais moderna, especializada e centrada nas pessoas, procurando reforçar a cooperação com as entidades regionais e as unidades especializadas da GNR.

Num território insular e ultraperiférico, defendeu a importância de criar sinergias institucionais para atenuar as dificuldades próprias da Região e melhorar a resposta às necessidades da população. Transparência, competência, lealdade, cooperação e respeito pela dignidade humana foram os valores que, garantiu, orientaram a sua acção.

O oficial agradeceu o apoio do Governo Regional, dos municípios com protocolos de cooperação com a GNR — Santa Cruz, Machico, Porto Moniz e Ponta do Sol —, das Forças Armadas, das forças e serviços de segurança e dos agentes de protecção civil, entre outras entidades que contribuíram para o cumprimento das missões da Guarda.

Dirigiu igualmente palavras de reconhecimento ao Representante da República para a Madeira, ao presidente da Assembleia Legislativa e ao comando superior da GNR, sublinhando a importância do relacionamento institucional e da articulação entre as diferentes estruturas.

Um conselho ao sucessor: "cuida bem deles, que eles certamente cuidarão bem de ti"

Na despedida, Marco Nunes dirigiu-se especialmente ao novo comandante, coronel José Arlindo Varela Pereira, a quem reconheceu pela amizade e camaradagem, lembrando a "complexidade e a singularidade da missão na Região".

O oficial da Guarda destacou a qualidade dos homens e mulheres que integram o Comando Territorial da Madeira, considerando-os representantes de um povo "humilde, estoico e valente", conforme reza o hino, e manifestou confiança na capacidade da equipa para continuar a afirmar a GNR como uma força humana, próxima e de confiança.

Deixou, então, um conselho que sintetizou o lado mais pessoal da sua despedida: "Cuida bem deles, que eles certamente cuidarão bem de ti".

No final, reservou ainda palavras de agradecimento ao Colégio Militar, à Academia Militar e à GNR, instituições que, afirmou, contribuíram para a sua formação como militar. Aos pais, a quem disse dever tudo, e à mulher, Maria João, e aos filhos, Guilherme e Margarida, agradeceu o "amor incondicional", a "paciência infinita" e a partilha dos sacrifícios, das ausências e das alegrias ao longo do percurso.

"Sem o vosso apoio constante, este percurso nunca teria sido possível", concluiu.

Após a passagem ao longo de 14 anos pela Madeira, o próximo quartel do coronel Marco Nunes será em Varsóvia, na Polónia, onde está sedeada a Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira - Frontex, oganização que apoia os países da União Europeia e do espaço Schengen na gestão das fronteiras externas da UE e na luta contra a criminalidade transfronteiras ao serviço da qual cumprirá uma missão internacional de 5 anos.