Exército iraniano ameaça atacar Israel em resposta a bombardeamentos em Beirute
O exército iraniano ameaçou hoje atacar o norte de Israel se as forças israelitas bombardearem o bairro de Dahieh, na periferia de Beirute e bastião do grupo xiita Hezbollah.
"Caso esta ameaça se concretize, alertamos os residentes das zonas do norte [de Israel] e dos colonatos militares nos territórios ocupados para que abandonem a zona de forma a evitar danos", declarou o Comando Unificado de Operações Khatam al-Anbiya, em comunicado divulgado pela agência de notícias iraniana IRNA.
A ameaça dos militares iranianos surgiu depois de o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ter ordenado esta manhã um ataque ao bairro de Dahieh.
A ordem de Netanyahu surgiu em plena intensificação da ofensiva israelita no sul do Líbano, durante a qual foi tomada no domingo a fortaleza de Beaufort, uma posição estratégica a norte do rio Litani, que, até à passada semana, demarcava a área de operações de Israel no país vizinho.
No último mês, Hezbollah e Israel têm continuado os ataques aéreos e confrontos terrestres no sul do Líbano, apesar do cessar-fogo em vigor desde 17 de abril.
A trégua foi acordada entre Israel o Governo libanês em Washington, mas não é reconhecida pelo grupo xiita apoiado pelo Irão, tal como as negociações de paz israelo-libanesas em curso, com o patrocínio dos Estados Unidos.
As negociações de paz estão ligadas às conversações indiretas entre Estados Unidos e Irão sobre o conflito iniciado em 28 de fevereiro pela ofensiva aérea israelo-americana contra a República Islâmica.
Entretanto, o Irão anunciou que suspendeu o diálogo com Washington enquanto prosseguir a ofensiva israelita no Líbano, segundo a agência de notícias iraniana Tasnim.
A decisão foi tomada devido aos crimes que Israel "continua a cometer" no Líbano e às violações "em todas as frentes" do cessar-fogo acordado com os Estados Unidos.
O presidente do parlamento e principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, alertou que os Estados Unidos e Israel vão pagar por aquilo que Teerão considera uma violação da trégua no país árabe.
"Toda a decisão tem um preço, e chegou a hora de pagar a conta", afirmou nas redes sociais.
O Líbano foi arrastado pelas milícias xiitas libanesas para a nova guerra na região ao reatarem, no início de março, ataques aéreos contra o território israelita.
Israel respondeu com bombardeamentos intensivos e expandiu as posições militares que já mantinha no sul do país vizinho durante o conflito anterior.
Desde 02 de março, pelo menos 3.433 pessoas morreram e 10.395 ficaram feridas, segundo a última atualização do Ministério da Saúde libanês, em resultado dos ataques israelitas, que provocaram também acima de um milhão de deslocados.
As partes tinham estado em confronto no seguimento da guerra de Faixa de Gaza, entre outubro de 2023 e novembro de 2024, data de um cessar-fogo nunca verdadeiramente respeitado e que foi interrompido com o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irão.