Justiça iraniana suspende órgão que ordenou reposição da Internet
O poder judicial iraniano suspendeu hoje o órgão presidencial que ordenou o restabelecimento do acesso à Internet no Irão, suspenso pelas autoridades depois dos ataques lançados pelos Estados Unidos e por Israel contra o país.
Segundo o portal Mizan, ligado ao sistema judicial iraniano, a decisão foi tomada após "a apresentação de queixas", sem que tenham sido avançados mais detalhes sobre a natureza dessas denúncias ou sobre as entidades envolvidas.
A nova suspensão surgiu um dia depois de o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, ter ordenado ao Ministério das Comunicações o levantamento das restrições impostas ao acesso à Internet.
As autoridades iranianas tinham justificado essas limitações com razões de segurança nacional, incluindo alegadas ameaças de espionagem, ataques cibernéticos contra infraestruturas críticas e riscos de perturbação de serviços públicos essenciais.
As restrições intensificaram-se depois da ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra alvos iranianos, num contexto de forte agravamento da tensão regional.
O portal Mizan não esclareceu se a decisão judicial implica o restabelecimento imediato das restrições à Internet em todo o território iraniano.
As autoridades iranianas tinham restringido fortemente o acesso à Internet durante os protestos desencadeados pela crise económica e pela deterioração das condições de vida no país.
Segundo dados oficiais divulgados por Teerão, os confrontos e a repressão causaram a morte de 3.117 pessoas, entre civis e membros das forças de segurança.
No entanto, a ONG Human Rights Activists in Iran, com sede nos Estados Unidos, elevou no seu mais recente balanço o número total de mortos para mais de 7.000.