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A Guerra Mundo

Rússia nunca ameaçou nem ameaça os países europeus

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O Presidente russo afirmou hoje que a Rússia "nunca ameaçou nem ameaça os países europeus", numa altura em que estes acusaram Moscovo de ser responsável pela queda de um drone na Roménia.

"Tudo o que fazem é apenas para prosseguir o confronto com a Rússia e justificar despesas exorbitantes dos orçamentos dos seus Estados, a custas dos contribuintes", afirmou Vladimir Putin durante uma conferência de imprensa no Cazaquistão.

O líder russo adiantou que Moscovo não pretende impor a Bruxelas a nomeação de um negociador, algo que cabe à União Europeia (UE) fazer, mas avaliará se faz sentido reunir-se com essa pessoa.

"Não nos cabe a nós escolher um negociador. Mas, naturalmente, cabe-nos decidir se nos reunimos ou não com este ou aquele político da Europa Ocidental", continuou, depois de o Kremlin ter-se mostrado disposto a dialogar com a UE, mas descartado ter a chefe da diplomacia, Kaja Kallas, como negociadora.

"Claro que há sobre o que conversar", disse à imprensa Yuri Ushakov, conselheiro de política internacional do Kremlin, em resposta a uma pergunta sobre um possível reinício dos contactos com os europeus.

Putin responsabilizou os líderes europeus pela decisão de cessar os contactos com o Kremlin, após o início da guerra na Ucrânia (2022) e assegurou que estes não podem mediar o conflito, uma vez que participam nos combates ao apoiar o inimigo.

No entanto, mostrou-se aberto a contactos com Bruxelas e chegou mesmo a propor recentemente como candidato a negociador europeu o antigo chanceler alemão Gerhard Schroeder, que foi conselheiro de empresas estatais russas como a Rosneft ou a Gazprom.

Tanto Kallas como o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andriy Sybiga, rejeitaram imediatamente essa possibilidade.

Os países da UE começaram a debater informalmente na quinta-feira como falar a uma só voz com Moscovo para alcançar uma futura paz na Ucrânia, mas deixaram claro não existirem ainda condições para tal, devido aos ataques russos.

Putin afirmou que Bruxelas, por enquanto, não apresentou nenhuma candidatura.

"Veremos quando propuserem alguém", disse.

Ao mesmo tempo, voltou a qualificar de absurdas as informações sobre supostos planos da Rússia de atacar algum dos países da União Europeia.

Segundo o chefe do Kremlin, estas notícias são inventadas pelos meios de comunicação ocidentais, que procuram amedrontar os leitores e levá-los a financiar a continuação da guerra na Ucrânia.

Em relação à queda de um drone num edifício residencial na Roménia, provocando dois feridos, num incidente que levou Bucareste a declarar 'persona non grata' o cônsul-geral russo no país e a encerrar o consulado, Putin manifestou dúvidas de que aquele aparelho seja de origem russa e pediu provas da origem.

Horas antes, Moscovo ameaçou com "medidas de retaliação" às ações diplomáticas romenas.

"As medidas de retaliação [...] não se farão esperar", assegurou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, às agências de notícias russas.

Zakharova afirmou que os países ocidentais estão a "fazer barulho" em torno do incidente para "desviar a atenção" de um ataque da Ucrânia contra uma residência de estudantes na região ocupada de Lugansk, que resultou em 21 mortos.

A porta-voz da diplomacia russa acrescentou que a Roménia precisava de algo para justificar o encerramento do consulado russo no país, o que conseguiu agora.