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Madeira

Ganho médio mensal aumentou 6,3%, fixando-se em 1.406,81€ em 2024

Dados finais relativo aos trabalhadores por conta de outrem a tempo completo e com remuneração completa na Madeira

Foto Shutterstock
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No âmbito do apuramento estatístico dos Quadros de Pessoal, a DREM divulga hoje os dados dos ganhos médios dos 60,5 mil "trabalhadores por conta de outrem (TCO) a tempo completo e com remuneração completa" em 2024, isto é referentes aos estabelecimentos localizados na Região Autónoma da Madeira (RAM), o que correspondeu "a um acréscimo de 4,6% face ao ano anterior (mais 2,7 mil trabalhadores)", sendo que o seu salário aumentou 6,3%, fixando-se em 1.406,81€ nesse ano.

"A RAM seguiu, de forma mais acentuada, a tendência nacional de crescimento do número de trabalhadores, cuja variação foi de 1,7%", mas não no ganho médio mensal, que no ano anterior era de 1.323,96€, uma vez que a nível nacional, "o ganho médio mensal dos TCO atingiu 1.576,03€, representando um aumento de 7,9% face a 2023".

"Em termos de ganho médio, por regiões NUTS II, a RAM situava-se acima das regiões do Algarve (1.320,22€) e do Oeste e Vale do Tejo (1.346,57€) e abaixo do Alentejo (1.409,53€), do Centro (1.410,88€), da Região Autónoma dos Açores (1.431,89€), do Norte (1.474,68€), da Península de Setúbal (1.545,45€)" e, sobretudo, "da região da Grande Lisboa, que foi a que apresentou o ganho médio mensal mais elevado (1.935,68€), sendo a única acima da média nacional".

Por municípios na Região, Funchal "era o que apresentava o ganho médio mensal mais elevado (1.464,72€), seguido do Porto Santo (1.418,25€), os únicos que estavam acima da média regional (1.406,81€)", realça. "Ao invés, o Porto Moniz (1.056,70€), São Vicente (1.103,95€), Santana (1.137,83€), Ponta do Sol (1.146,20€), Ribeira Brava (1.202,80€), Câmara de Lobos (1.233,56€), Machico (1.341,95€), Santa Cruz (1.343,04 €) e Calheta (1.383,19€) estavam abaixo da média regional".

Distribuição com menor assimetria

Segundo a Direção Regional de Estatística da Madeira, "em 2024, a distribuição do ganho mensal dos TCO na RAM revelou uma menor assimetria comparativamente à média nacional. Na RAM, a mediana do ganho mensal situou-se em 1.112,71€, sendo o rácio entre o 3.º e 1.º quartis igual a 1,48. A nível nacional, a mediana foi de 1.186,55€ e o rácio 3.ºQ/1.ºQ foi igual a 1,71", explica.

Contudo, "ao nível das regiões NUTS II, a Grande Lisboa foi a que apresentou o maior valor mediano do ganho mensal, atingindo 1.410,28€, seguida pelo Centro com 1.159,50€, pela Península de Setúbal com 1.159,48€, pelo Norte com 1.142,10€, pelo Alentejo com 1.129,15€, pela região do Oeste e Vale do Tejo com 1.115,00€ e pela RAM com 1.112,71€", que supera apenas a Região Autónoma dos Açores (RAA) e o Algarve, que "foram as regiões que apresentaram os valores medianos mais baixos, atingindo 1.106,35€ e 1.100,00€, respetivamente", destaca.

No que toca à assimetria na distribuição do ganho médio mensal, a região da Grande Lisboa destaca-se como sendo a região com a maior, "tendo apresentado para o rácio 3.ºQ/1.ºQ o valor de 2,12, enquanto o Algarve e a RAM foram as regiões que apresentaram os rácios mais baixos, respectivamente, 1,46 e 1,48", frisa a DREM.

"Na Região, a distribuição do ganho mensal dos TCO apresentou uma maior assimetria nos TCO do sexo masculino", sendo que "a diferença no valor mediano do ganho mensal entre os dois sexos foi também notória: 1.081,60€ para o feminino e 1.141,40 € para o masculino. A disparidade no ganho médio mensal entre sexos tem vindo a diminuir na RAM, tendo-se fixado em 4,9%, em 2024, abaixo dos 7,7% no País".

Trabalhadores entre 35 e 54 anos ganham mais

"Em 2024, na Região, o valor mediano do ganho mensal dos TCO foi superior entre os trabalhadores com idades entre os 35 e os 54 anos, situando-se em 1.150,06 €", enquanto "os trabalhadores até 34 anos apresentaram o valor mediano mais baixo, fixando-se em 1.061,20€" e "os do grupo dos 55 ou mais anos registaram um valor mediano igual a 1.125,73€".

Imigrantes ganham menos

Mais, "o ganho mediano mensal dos TCO que trabalhavam, em 2024, na Região, com nacionalidade não pertencente à União Europeia (Extra UE-27), foi inferior em 93,32€ ao dos TCO com nacionalidade portuguesa, atingindo 1.032,27€ e 1.125,59€, respetivamente", revelando que os imigrantes não europeus eram os mais mal pagos.

'Cursados' ganham mais 26%

"O ganho mediano mensal dos TCO na Região acompanhou o aumento do nível de habilitações literárias, passando de 991,72€ nos ganhos dos TCO sem qualquer nível de escolaridade para 1.671,13€ nos ganhos dos TCO com nível de escolaridade no ensino superior", pelo que "a disparidade no ganho médio mensal entre os níveis de habilitações dos TCO na RAM situou-se em 26,1%, inferior aos 30,8% registados no País".

Trabalhadores temporários ganham menos

Por outro lado, "o valor mediano mensal do ganho dos TCO com contrato sem termo (1 176,87€) foi superior ao valor mediano do ganho dos TCO com contrato com termo (1 033,00€).

'Serviços' com ganho superior

Quanto aos sectores de actividade, o dos 'Serviços' "era o que apresentava o valor mais elevado no ganho médio mensal dos TCO (1.411,46€), 0,3% acima da média regional. Os setores da 'Indústria, construção, energia e água' (1.397,49€) e da 'Agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca' (1.150,58€) observavam valores abaixo da média da Região. A disparidade no ganho médio mensal entre setores de atividade na RAM fixou-se em 1,6%, abaixo dos 5,1% observados no País", frisa a DREM.

Empresas maiores pagam melhor

Sem surpresa, o tamanho da empresa faz a diferença. "O escalão das empresas com 500 e mais pessoas era aquele que registava o ganho médio mensal mais elevado, 1.718,10€, estando 22,1% acima da média regional, e o escalão das empresas com 1 a 9 trabalhadores era o que apresentava ganhos médios mensais inferiores (1.164,22€), embora tenha registado um acréscimo de 7,7% face a 2023. A disparidade do ganho médio mensal entre escalões de pessoal das empresas na RAM situou-se em 14,4%, inferior aos 16,4% no País", aponta.

Trabalhadores de pesados melhor remunerados 

Quanto ao ganho médio por profissão, "o maior incremento verificou-se nos 'Operadores de instalações e máquinas e trabalhadores da montagem', grupo que registou um aumento de 8,8% (+107,79€) face a 2023, seguido dos 'Agricultores e trabalhadores qualificados da agricultura, da pesca e da floresta', com um crescimento de 8,5% (+84,15€)", evidencia. Contudo, "em 2024, o ganho médio das referidas profissões situou-se em 1.336,85€ e 1.071,74€, respetivamente. A disparidade do ganho médio mensal entre profissões na RAM tem vindo a diminuir nos últimos anos, passando de 39,4% em 2014 para 31,7% em 2024, apesar de, no último ano, ter ocorrido um aumento de 0,1 pontos percentuais (p.p.), em comparação a 2023. A nível nacional, em 2024, este indicador era de 36,5%, refletindo um aumento de 0,2 p.p. face ao ano anterior".

Mais trabalhadores mudaram de emprego

Por fim, "a proporção de população empregada por conta de outrem na Região que mudou de empresa em 2024, em relação ao emprego total, foi de 12,4%, um aumento de 0,7 p.p. face ao ano anterior. A nível nacional, 13,0% dos TCO em análise mudaram de empresa, representando um acréscimo de 0,1 p.p. em comparação a 2023", diz.

E conclui que "a taxa de atração líquida, em 2024, foi positiva em todos os municípios da RAM, excepto no Porto Moniz, São Vicente e Porto Santo, que registaram taxas de -0,8%, -2,3% e -2,6%, respetivamente", sendo que "o município de Machico apresentou a taxa mais alta, de 2,5%. A média da RAM foi de 0,6%, registando um decréscimo de 0,8 p.p. face a 2023".