Celso Bettencourt acusa JPP de “alarmismo político” na Seara Velha
Foi durante o período antes da ordem do dia da reunião de Câmara que o presidente do município de Câmara de Lobos reagiu às críticas dos vereadores do JPP e assegurou que o Laboratório Regional de Engenharia Civil continua no terreno a monitorizar a evolução da derrocada na Seara Velha, no Curral das Freiras. Celso Bettencourt endureceu o discurso em torno da polémica criada pelo JPP sobre o aluimento, acusando os vereadores e deputados do partido de “alarmismo”, “populismo” e de tentarem explorar politicamente um processo que, garante, tem sido acompanhado diariamente pelas entidades competentes desde o primeiro minuto.
O presidente do município decidiu “colocar um ponto final” no que considera ser uma tentativa de criar medo junto da população, assegurando que tanto a autarquia como o Governo Regional nunca abandonaram o acompanhamento da situação.
“Não admito populismos. Não contem comigo para isso. Desde o primeiro momento que a Câmara e o Governo estiveram no terreno, estiveram com as pessoas e continuam a acompanhar permanentemente a situação”, afirmou.
A reacção surgiu depois de, numa visita ao local da derrocada, elementos do JPP terem exigido “monitorização permanente, comunicação regular e medidas concretas para proteger as famílias”, alegando falta de informação actualizada relativamente à evolução da vertente e aos riscos existentes quase um mês após a derrocada.
Celso Bettencourt rejeitou por completo essas acusações e insistiu que o trabalho técnico nunca parou. “O senhor vereador fala como se a Câmara tivesse desaparecido do Curral das Freiras. Isso é falso. Os nossos técnicos estiveram lá várias vezes. O Laboratório Regional de Engenharia Civil esteve no terreno. A Protecção Civil acompanhou. O Governo acompanhou. Houve reuniões com a população e contacto porta a porta”, sublinhou.
O autarca social-democrata recordou que, logo após a derrocada, foram accionados os mecanismos de avaliação técnica e segurança, envolvendo o Laboratório Regional de Engenharia Civil, técnicos municipais, Protecção Civil e serviços sociais.
Segundo revelou, a Câmara Municipal já concluiu o levantamento integral de todos os agregados familiares inseridos na área de intervenção e potencial risco, trabalho realizado directamente no terreno pelas equipas municipais e serviços sociais.
“Os nossos serviços estiveram três dias no terreno a fazer levantamento porta a porta. Neste momento temos o levantamento completo de todos os agregados da área afectada”, afirmou.
De acordo com os dados avançados pelo presidente da autarquia, foram identificados 30 agregados residentes, correspondentes a 72 pessoas, além de 13 agregados pertencentes a emigrantes e três imóveis devolutos.
“Estamos a falar de um levantamento sério, rigoroso e feito casa a casa. Isto é trabalho técnico e de proximidade. Não é política de comunicado”, disparou.
O presidente da Câmara acusou ainda o JPP de tentar alimentar um clima de medo sem fundamento técnico.
“Eu não aceito que se vá para a Seara Velha criar alarmismos quando há equipas técnicas, especialistas e entidades competentes a acompanhar permanentemente a situação”, afirmou.
Durante a intervenção, Celso Bettencourt revelou mesmo que os dados mais recentes transmitidos pelo Laboratório Regional de Engenharia Civil apontam para uma estabilização do talude situado na zona inferior da Seara Velha, área que estava a suscitar maior preocupação nas últimas semanas.
“Ainda hoje falámos com o LREC. Neste momento o talude está estabilizado. Não está a mexer. Isso é informação técnica, não é conversa política”, declarou.
O autarca explicou que a preocupação actual centra-se agora na necessidade de encontrar uma solução definitiva de contenção para evitar problemas futuros, embora sublinhando que não existe, nesta altura, risco iminente para a Estrada dos Moinhos nem sinais de agravamento da situação.
“Vamos agora estudar as soluções técnicas adequadas para conter aquele talude de forma correcta. É isso que estamos a fazer. Trabalhar com responsabilidade e prevenção”, afirmou.
Apesar da estabilização registada, Celso Bettencourt admitiu que a monitorização continuará activa precisamente porque “ninguém consegue prever o futuro” numa situação desta natureza.
“É exactamente por isso que estamos a trabalhar na prevenção e não na política do medo”, reforçou.
O edil confirmou igualmente que a família retirada preventivamente da habitação considerada em maior risco continua realojada temporariamente na Associação Refúgio da Freira, acrescentando que a solução definitiva está já em fase final.
“Essa família não poderá regressar àquela habitação e temos neste momento uma nova casa praticamente concluída para lhes dar uma solução permanente”, anunciou.