“Não aceito que nos sentemos com chantagistas nem que fiquemos calados na Assembleia da República”
Carlos Rodrigues critica “grupelhos” e PSD nacional e defende autonomia firme
Carlos Rodrigues, vice-presidente da Câmara Municipal do Funchal, afirmou no XX Congresso Regional do PSD-M que não aceita que o partido “se sente com chantagistas” nem que permaneça em silêncio na Assembleia da República, num discurso marcado por críticas internas e externas e pela defesa de uma postura mais firme na autonomia regional.
“Não aceito que nos sentemos com chantagistas ou que fiquemos calados na Assembleia da República”, afirmou, acrescentando que “viver do Turismo não é aceitar tudo. Não é dar tudo de chapéu na mão e de coluna vergada”.
O dirigente apontou críticas ao funcionamento interno e à dinâmica política regional, referindo que há “grupelhos e familiares e bandos de arruaceiros a assumir protagonismo na luta pelos direitos da Madeira e dos madeirenses”, sublinhando a necessidade de reposicionar o partido na defesa da região.
Num registo interno, defendeu lealdade, mas com frontalidade: “Qualquer militante tem o dever supremo de respeitar e ser leal ao seu líder”, afirmou, acrescentando que “nem sempre as minhas opiniões são politicamente correctas, mas ser leal é dizer o que se pensa, olhos nos olhos”.
Rejeitou ainda o silêncio político ou o anonimato como forma de intervenção. “Não quero ser o gajo do Facebook que manda umas bocas. Eu digo aqui, olhos nos olhos”, disse, sublinhando: “Eu não me escondo no anonimato”.
Carlos Rodrigues afirmou ainda que o partido atravessa um momento exigente. “Temos de mudar porque não estamos bem enquanto partido nem enquanto Região”, alertando que “não podemos esmorecer nem recuar”.
No plano político mais amplo, defendeu maior firmeza perante o exterior. “Não ceder a ameaças provincianas e infantis, manter apenas um relacionamento institucional e desalinhar de todas as decisões que nos prejudiquem”, afirmou, enquadrando a situação como um “contencioso da autonomia”.
Concluiu com uma mensagem de princípio político: “Autonomia sem coragem é mentira, autonomia sem firmeza é utopia, autonomia com medo é desperdício”, defendendo que “nós só fazemos sentido se colocarmos os interesses da Madeira em primeiro lugar”.