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Diplomacia brasileira pede explicações a diplomata da Argentina por fuga de Flávio Bolsonaro

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Foto EPA/ANDRE BORGES

A diplomacia brasileira convocou a autoridade máxima da embaixada da Argentina no Brasil para pedir esclarecimentos sobre o papel de Buenos Aires na fuga de Flávio Bolsonaro, confirmaram hoje à Lusa fontes oficiais.

O encontro ocorreu no Palácio Itamaraty, em Brasília, na quinta-feira, entre o chefe do Departamento do Mercosul do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, o embaixador João Marcelo Galvão de Queiroz, e a encarregada de negócios da Argentina em Brasília, María Emília Cortés.

Fontes oficiais do Itamaraty descreveram que a conversa foi rápida, tendo o lado brasileiro manifestado incómodo com a situação.

Na linguagem da diplomacia mundial, o gesto de convocar uma autoridade de outro país a dar explicações é um sinal formal de constrangimento, explicaram as fontes.

Atualmente, não há embaixador da Argentina no Brasil, desde que Brasília decidiu baixar a relação diplomática com Buenos Aires em agosto, ao convocar o regresso do embaixador do Brasil na Argentina, em retaliação pelos ataques do Presidente argentino, Javier Milei, ao chefe de Estado brasileiro, Lula da Silva.

A reunião não foi conduzida pelo ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira, que se encontra em Atlanta, nos Estados Unidos, para reuniões do G20, este ano presididas pelo chefe do Departamento de Estado dos EUA, Marco Rubio.

Derrotado no domingo na segunda volta das eleições presidenciais por Lula da Silva, Flávio Bolsonaro deixou o Brasil na terça-feira, através da fronteira com a Argentina e com escala no Equador, chegando a Miami, nos EUA, na quarta-feira.

O senador do Partido Liberal chegou a publicar uma carta em que agradeceu aos presidentes dos EUA, Donald Trump, e Javier Milei, da Argentina, pelo apoio.

Na carta, em que questiona, sem provas, o resultado das eleições no Brasil, Flávio chegou a declarar-se "presidente eleito", mas depois mudou a versão final do texto em que se referiu apenas como "líder do Brasil".

Flávio fugiu após ter o passaporte cancelado e ficar proibido de deixar o país, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro, no âmbito de uma investigação por suspeita de branqueamento de capitais.

Conforme revelou o jornal argentino La Nación, um assessor da Casa Rosada, Santiago Caputo, ligado diretamente a Milei, esteve encarregado diretamente na missão de ajudar Flávio, a esposa e as duas filhas a cruzarem a fronteira.

Já um funcionário da Casa Branca foi responsável por arranjar um jato para Flávio chegar aos EUA, revelou o jornal norte-americano New York Times.

A ajuda dos Governos dos EUA e da Argentina tem levado congressistas da oposição, nos respetivos países, a pedirem explicações oficiais da Casa Branca e da Casa Rosada.

Os parlamentares citam as suspeitas de corrupção e investigações contra o Flávio no Brasil, e também a carta publicada pelo senador. 

Fontes da diplomacia brasileira evitaram comentar se o Itamaraty também irá convocar a autoridade máxima da Embaixada dos EUA no Brasil para dar explicações, assim como fizeram com a Argentina.

Lula da Silva terá sido orientado por auxiliares da área de internacional do Palácio do Planalto e pela diplomacia brasileira a não ter qualquer embate direto com Trump ou com Milei sobre o episódio, enquanto a Polícia Federal do Brasil procura esclarecer como ocorreu o apoio estrangeiro.