Brasil mantém pragmatismo com EUA e Argentina após fuga de Flávio Bolsonaro
Fontes diplomáticas disseram ontem que o Governo brasileiro vai manter o pragmatismo nas relações diplomáticas e comerciais com os Estados Unidos e a Argentina, países que ajudaram Flávio Bolsonaro a fugir do Brasil.
Segundo as fontes, o Governo brasileiro mantém cautela em relação a adotar respostas aos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, após os dois países ajudarem Flávio Bolsonaro a fugir do Brasil, na sequência da derrota eleitoral de domingo frente ao actual Presidente, Lula da Silva.
A avaliação, até o momento, é manter pragmatismo nas relações diplomáticas e comerciais com os dois países, apesar das críticas do líder norte-americano e o silêncio do argentino sobre o resultado das eleições no Brasil, acrescentaram.
O Palácio do Planalto aguarda ainda o desfecho das apuraçõe e mais esclarecimentos sobre a ajuda da Casa Branca e da Casa Rosada à fuga de Flávio, mas o assunto não cria constrangimento ao Governo brasileiro e sim à oposição, disseram.
Relativamente aos EUA, a avaliação da diplomacia brasileira é que é preciso aguardar para ver se Donald Trump cessa as críticas às eleições brasileiras, para então retomar o processo de concessão de 'agrément' (aprovação, no jargão diplomático) a Daniel Perez, indicado por Trump para embaixador no Brasil.
Interlocutores do Presidente brasileiro avaliam que, só após as eleições de meio de mandato no Congresso norte-americano, agendadas para a próxima terça-feira, o Brasil e o mundo saberão, de forma mais clara, se Trump sairá fortalecido ou derrotado, e qual será o recado do líder norte-americano ao mundo.
Ontem, Trump apelidou as eleições brasileiras de vergonhosas, disse que "não tomou partido" durante a corrida eleitoral a pedido de Lula e que pretende conversar com o político brasileiro em breve.
O abaixamento da relação diplomática entre Brasília e Buenos Aires também não deve mudar, e, assim, a ordem é que o embaixador do Brasil na Argentina não retorne ao país vizinho enquanto Milei não cessar as críticas ao Palácio do Planalto e a Lula.
Hoje, haverá uma reunião prévia do G20 em Atlanta, presidida pelo chefe do Departamento de Estados dos EUA, Marco Rubio, com a presença dos ministros de relações exteriores do Brasil e da Argentina, mas não há previsão, até ao momento, de um encontro bilateral.