Madeira perde 110 novos alunos no ensino superior num ano
Número de inscrições pela primeira vez caiu 7% em 2025/2026, para 1.467 estudantes
Quebra é mais acentuada no ensino universitário e nas licenciaturas, enquanto os cursos técnicos superiores profissionais e os doutoramentos registam aumentos
O ensino superior da Madeira registou menos 110 novos alunos no ano lectivo 2025/2026, uma redução de 7% face ao ano anterior. No total, inscreveram-se pela primeira vez 1.467 estudantes nos estabelecimentos da Região, que representam 35,5% dos 4.133 alunos matriculados no ensino superior madeirense.
Os dados divulgados hoje pela Direcção Regional de Estatística da Madeira (DREM), com fonte na Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), mostram que a quebra abrange os dois subsistemas de ensino, mas é mais acentuada no universitário. Neste, o número de novos inscritos diminuiu 8%, menos 89 alunos, enquanto no politécnico recuou 4,6%, correspondendo a menos 21 estudantes.
Entre os novos alunos, 783 são mulheres, o equivalente a 53,4%, e 684 são homens, que representam 46,6%.
De frisar que a evolução varia consoante o ciclo de estudos, pois as licenciaturas registam a maior quebra em número absoluto, com menos 173 novos inscritos (-17,7%), fixando-se em 806 estudantes. Nos mestrados, a redução é de 3,6%, menos 12 alunos, para um total de 319.
Em sentido contrário, os cursos técnicos superiores profissionais (CTeSP) aumentam 33,7%, com mais 64 novos inscritos, totalizando 254. Também os doutoramentos apresentam uma subida expressiva: passam de 14 novos alunos em 2024/2025 para 34 em 2025/2026, o valor mais elevado desde o início da série, em 2013/2014.
Total de alunos também diminui
Apesar da entrada de novos estudantes, o número global de inscritos no ensino superior da Região recua 1,1%, menos 45 alunos, fixando-se em 4.133 no ano lectivo 2025/2026.
Esta diminuição resulta da evolução do ensino politécnico, que perde 53 alunos (-4,2%). No ensino universitário, pelo contrário, verifica-se um ligeiro crescimento de oito estudantes, correspondente a 0,3%.
Por ciclo de estudos, os cursos técnicos superiores profissionais registam um aumento de 10%, mais 42 alunos, enquanto os doutoramentos crescem 21,1%, com mais 20 inscritos. As licenciaturas perdem 95 estudantes (-3,4%) e os mestrados diminuem dois alunos (-0,3%), totalizando 722 inscritos.
A distribuição dos estudantes por áreas de educação e formação revela diferenças entre novos inscritos e o conjunto dos alunos. Entre os que entram pela primeira vez, a Educação concentra 15,2%, seguindo-se Engenharia, indústrias transformadoras e construção, com 14,9%, Serviços, com 13,6%, e Artes e humanidades, com 13,4%.
Considerando todos os inscritos, Engenharia, indústrias transformadoras e construção representa a maior parcela, com 16,4%. Seguem-se Saúde e protecção social, com 14,9%, e Ciências sociais, jornalismo e informação, com 12,4%.
Mulheres são maioria, mas há diferenças por área
As mulheres, como referido, representam a maioria, no caso 53,7% do total de alunos inscritos no ensino superior madeirense, embora esta proporção diminua 0,3 pontos percentuais face ao ano anterior. A presença feminina é maioritária na generalidade dos ciclos de estudos, com excepção dos cursos técnicos superiores profissionais, onde corresponde a 32,8%, contra 67,2% de homens.
Também as áreas de formação escolhidas apresentam diferenças. Entre as mulheres, Saúde e protecção social é a área mais representada, concentrando 21,9% das inscrições femininas, num total de 486 alunas. Entre os homens, destaca-se Engenharia, indústrias transformadoras e construção, que reúne 30,4% das inscrições masculinas, correspondentes a 581 estudantes.
Oito estabelecimentos, todos no Funchal
No ano lectivo 2025/2026, a Madeira continuou a dispor de oito estabelecimentos de ensino superior (situação estável desde 2017/2018), todos localizados no município do Funchal. Quatro eram de ensino universitário, todos públicos, e os restantes quatro de ensino politécnico, dos quais dois públicos e dois privados. Nada mudou nesse particular.
A taxa de escolarização no ensino superior, que relaciona os alunos entre os 18 e os 22 anos inscritos em cursos de formação inicial com a população residente da mesma faixa etária, situava-se nos 15,7%. O indicador aumentou 0,1 pontos percentuais face ao ano lectivo anterior.
O corpo docente foi constituído por 491 professores, menos 22 do que em 2024/2025. A redução ocorreu exclusivamente no ensino politécnico, que perdeu 17 docentes no sector público e cinco no privado. Do total, 428 exerciam funções no ensino público e 63 no privado.
Quanto às habilitações académicas, os doutorados representavam 49,8% dos docentes do ensino superior público. No privado, a proporção de doutorados é de 23,8%, abaixo da percentagem de docentes com licenciatura, que chegou aos 36,5%. A maioria dos professores integrava as categorias de Assistente, com 38,5%, ou de Professor Auxiliar, com 25,5%.
Os estabelecimentos de ensino superior da Região contavam ainda com 222 trabalhadores não docentes, dos quais 200 no sector público e 22 no privado. O número manteve-se inalterado no ensino público face ao ano anterior e diminuiu uma pessoa no privado. Em termos de habilitações, 36,5% deste pessoal possuía licenciatura e 24,8% tinha o ensino secundário.