Mais de 25 mil horas debaixo de água: os desafios de comandar um submarino
No MadIT 2026, o comandante da Marinha recordou missões no Atlântico, Mediterrâneo e Árctico, incluindo a primeira navegação de um submarino convencional sob o gelo polar
"Na vida não se consegue nada sozinho". Foi com esta ideia que o comandante Taveira Pinto resumiu uma das principais lições de uma carreira marcada por mais de 25 mil horas de navegação, missões internacionais e operações em alguns dos ambientes marítimos mais exigentes do planeta.
Actualmente colocado no Comando Marítimo da NATO, em Londres, o oficial da Marinha Portuguesa esteve esta sexta-feira no Centro de Congressos da Madeira, no Funchal, para partilhar experiências e episódios de uma carreira dedicada à operação de submarinos e à segurança marítima, no âmbito do MadIT 2026 – Madeira Innovation Talks, promovido pela Região Madeira da Ordem dos Engenheiros.
Comandante dos submarinos NRP Arpão e NRP Tridente, Taveira Pinto deu a conhecer os bastidores de uma actividade que exige elevada preparação técnica, capacidade de decisão e uma estreita coordenação entre os elementos das tripulações.
A integração nos novos submarinos portugueses implicou três anos de formação na Alemanha e a participação em várias missões internacionais, incluindo três operações da NATO. Uma das experiências mais marcantes foi a primeira navegação de um submarino convencional sob o gelo do Árctico, num ambiente de particular exigência operacional.
Durante a apresentação, explicou as especificidades da operação destes meios, mostrando como funciona o interior de um submarino, caracterizado por espaços reduzidos, uma elevada concentração de sensores e equipamentos tecnológicos e uma complexa rede de cabos e sistemas de controlo.
Abordou também as diferenças entre submarinos convencionais e nucleares e o papel destes equipamentos na defesa da soberania e da jurisdição marítima portuguesa, nomeadamente na Zona Económica Exclusiva e na plataforma continental.
Entre as missões recordadas estiveram operações de vigilância, acções de combate ao tráfico de droga, em articulação com as autoridades marítimas, e missões militares de dissuasão no Atlântico e no Mediterrâneo.
O comandante partilhou ainda episódios de navegação em condições particularmente difíceis, incluindo a passagem pelos vórtices marítimos junto ao Cabo da Boa Esperança e as operações realizadas sob o gelo do Árctico.
Inspirado também pelos ensinamentos que retirou da prática do râguebi, Taveira Pinto destacou o espírito colectivo como condição essencial para o sucesso de qualquer missão, sublinhando que a liderança implica, por vezes, saber recuar para tomar a decisão correcta.
A intervenção integrou a manhã do MadIT 2026, dedicada às 'Histórias com Viagens'. A iniciativa prosseguiu durante a tarde, a partir das 14 horas, com o tema 'Histórias com Inteligência Artificial', contando com as intervenções de Décios Alves, Eliano Marques e Adolfo Mesquita.