Quem responde pelo mau estado das estradas da Madeira?

O artigo «Imposto Único de Circulação», de Duarte de Sousa Melim, publicado no DIÁRIO a 29 de outubro, chama a atenção para o peso dos impostos suportados pelos automobilistas. Mas, além de saber quanto pagamos para circular, importa perceber em que condições estão as estradas por onde circulamos.

Em vários pontos da Madeira, há pisos degradados, buracos, tampas desniveladas e remendos sucessivos. Um solavanco pode parecer pouca coisa, até provocar danos num pneu, numa jante ou na suspensão. Para quem circula de mota, o perigo é ainda maior.

No Funchal, onde o trânsito já é intenso e muitas ruas são estreitas e inclinadas, o problema merece especial atenção. Há locais onde se conduz quase sempre a tentar adivinhar onde estará o próximo solavanco. Não deveria ser preciso conhecer os buracos de cor para os evitar. E há estradas onde o piso está tão degradado que já nem há por onde desviar.

Em julho, o executivo municipal aprovou por unanimidade uma proposta para estudar um modelo de Conservação Corrente por Contrato para a rede viária do Funchal. Planear uma manutenção mais regular faz sentido. Mas um estudo não tapa buracos. O que importa agora é saber quando haverá decisões e intervenções no terreno.

O IUC não é uma receita destinada exclusivamente à reparação das estradas. Ainda assim, os cidadãos têm motivos para perguntar quanto investem o Governo Regional e as câmaras na conservação das vias que lhes competem, como definem prioridades e por que razão continuam tantos problemas por resolver.

A quem conduz exige-se uma viatura em condições de segurança. Porque não se exige o mesmo rigor a quem tem a responsabilidade de conservar as estradas?

Fernando Santos