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Participação em eleições de Israel de 77,7%

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Foto EPA/ATEF SAFADI

A participação final nas eleições legislativas israelitas de hoje atingiu os 77,7%, quase oito pontos acima da registada nas anteriores (2022) e a taxa mais elevada desde 2001, informou a Comissão Eleitoral Central.

Nas primeiras eleições legislativas israelitas desde os ataques do movimento islamita Hamas contra o país em 2023, um total de 5.695.682 israelitas deslocaram-se às mesas de voto, encerradas às 22:00 (hora local; 20:00 em Portugal continental), adiantou a mesma fonte.

A votação prosseguiu após a hora de encerramento nos locais de voto onde ainda havia filas para votar.

As três maiores cidades de Israel registaram uma quota abaixo da média: 65,9% no caso de Jerusalém, 65,4% em Telavive e 61,6% em Haifa.

Já a participação nas principais cidades árabes disparou; um dos saltos mais expressivos ocorreu em Umm al-Fahm, onde a participação atingiu os 75,7%, face aos 38,3% registados em 2022.

Outros exemplos notáveis registaram-se em Nazaré (norte), que passou de 48,3% em 2022 para 72,2% este ano; e Rahat (no deserto de Negev, a sul), que subiu de 60,6% para 82%.

Outras localidades árabes importantes registaram também percentagens muito elevadas, caso de Tamra (83,2%) e Sakhnin (86,8%) --- ambas no norte do país.

Os partidos árabes candidatos às eleições legislativas poderão registar um resultado histórico com um possível recorde de lugares no parlamento (Knesset), estimado entre 17 ou 18, segundo as projeções à boca das urnas hoje divulgadas.

O partido Ra'am poderá obter sete lugares no Knesset, enquanto a Lista Conjunta deverá obter 10 ou 11 lugares, de acordo com as primeiras estimativas.

Desta forma, estes partidos poderão praticamente duplicar o resultado de 2022 e batem também o melhor resultado que tinha sido alcançado nas eleições de 2020, em que arrecadaram 15 lugares.

A participação nas localidades e 'kibutzim' junto à fronteira com Gaza --- comunidades tradicionalmente de esquerda que foram as mais atingidas pelos ataques das milícias palestinianas a 07 de outubro de 2023 --- variou entre 25% em Nir Oz e 72% em Re'im; em Kisufim, foi de 54,8%, e em Be'eri, de 36%.

Em Sderot, cidade de maioria conservadora, a taxa de presença foi de 72%.

A Comissão Eleitoral Central informou, ainda, que ao longo do dia recebeu 8.000 relatos de incidentes, dos quais 30% foram classificados como comprometedores da integridade do processo eleitoral.

Destes, 10% referiram-se à alteração ou dano de boletins de voto, e 13% à interrupção do processo de votação.  

Segundo as projeções dos canais israelitas 11, 12 e 13, o partido Likud do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu é o individualmente mais votado (24 a 25 deputados, segundo as três), mas o bloco pró-governamental (que inclui a extrema-direita e ultraortodoxos) não vai além de 50 deputados, sendo 61 necessários para a maioria no Knesset, composto por 120 lugares.

As mesmas projeções dão ao Yashar!, liderado pelo ex-general do exército Gadi Eisenkot, 21 a 23 lugares, mas à coligação liderada por este partido 52 a 53 lugares.

O sucesso dos partidos árabes poderá permitir-lhes definir o próximo primeiro-ministro, mas, até hoje, ambos os blocos recusaram-se a formar uma parceria com eles.

Um resultado inconclusivo deixaria Israel num limbo político e poderia obrigar à repetição das eleições. Israel realizou cinco eleições entre abril de 2019 e novembro de 2022 devido a um impasse semelhante.

Nestas eleições, Netanyahu joga a sua permanência no poder após quatro anos marcados pelo ataque do Hamas em 2023 e os conflitos militares posteriores em várias frentes.

O bloco heterogéneo de forças liderado por Eisenkot procura destroná-lo e pôr fim ao governo mais à direita que Israel teve desde a sua criação, em 1948.