Manifestantes em Lisboa mantêm protesto após apelo da polícia para desmobilização
Várias tendas continuavam montadas na praça D. Pedro IV, no Rossio, após as 00:30 e o apelo da polícia para a desmobilização dos manifestantes que participam na acampada pelo direito à habitação em Lisboa.
No local, a PSP falou com elementos da organização do movimento "Não dá mais? Então monta a tua tenda!", alegando que as reuniões e manifestações em lugares públicos não podem prolongar-se para além das 00:30 e que os manifestantes estavam a incorrer num crime de desobediência.
A PSP avisou os participantes concentrados no Rossio que "o acampamento não pode continuar" e que o direito de manifestação "será sempre assegurado", mas grande parte dos manifestantes optou por manter as tendas.
Por volta da meia-noite, o superintendente Silva Resende, do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, avisou os participantes da acampada na praça Dom Pedro IV, na Baixa de Lisboa, que tinham de retirar as tendas ali montadas desde sábado.
"Vamos ter que atuar, pode não ser hoje", afirmou o oficial ao organizadores da acampada, que argumentaram para que fosse respeitado o "direito democrático" de cada manifestante a estar no espaço público.
Segundo Silva Resende, "o direito de manifestação foi assegurado" e "será sempre assegurado", mas "a ocupação do espaço público tem regras" e "o acampamento não pode continuar".
"O acampamento vai ter de sair", reiterou o responsável da PSP, assegurando que a decisão "não é para estas pessoas, é para toda a gente" e que "pode não ser hoje, mas o acampamento não pode continuar".
De acordo com a legislação, a manifestação teria de terminar às 00:30, mas como os organizadores da acampada pela habitação deram como encerrada a manifestação, os participantes prosseguiram a título individual.
"Montenegro, presta atenção, a tua casa vai virar ocupação", entoaram os manifestantes, inúmeras vezes, dirigindo a sua indignação ao primeiro-ministro Luís Montenegro, que responsabilizam por nada fazer para resolver a crise da habitação e por querer aprovar uma nova lei do arrendamento que precariza ainda mais a situação dos inquilinos e facilita os despejos.
Pelas 00:50, a PSP começou a desmobilizar as forças de intervenção rápida estacionadas na zona envolvente da praça e do Teatro D. Maria II, para algum alívio momentâneo dos manifestantes.
Na assembleia popular de domingo, realizada no local do protesto, os participantes aprovaram manter a acampada enquanto puderem e se, entretanto, forem forçados a retirar as tendas aprovaram, entre quase duas dezenas de propostas, promover assembleias "todos os dias", pelas 19:00, até que vejam medidas concretas para a crise da habitação.