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Luís Neves desagradado com narrativa que mistura o seu nome com questões de droga

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O ministro da Administração Interna manifestou hoje desagrado com a narrativa criada em que misturam o seu nome com questões relativas a droga, considerando que algumas expressões do Chega foram injuriosas.

"Só faltava, como foi dito, vender droga ou contrabando de álcool. Isto é injurioso para todos nós que aqui estamos. São expressões e palavras que devem ser contidas. Falou-se do carro, do camião, da arma, passou-se tudo num pacote, como se fosse tudo a mesma coisa, relativamente a uma organização de tráfico de estupefacientes", disse Luís Neves.

O ministro foi hoje ouvido durante cerca de quatro horas e meia numa audição regimental na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, que ficou marcada pelas recentes polémicas em que esteve envolvido Luís Neves, referentes ao período em que foi diretor nacional da Polícia Judiciária, entre 2018 e este ano.

Luís Neves sustentou que explicou" tudo o que se passou com a viatura que tem afetação operacional" e com "o camião que não tinha droga".

"É bom que fique esclarecido o seguinte, estes produtos que estamos a falar e que foram apreendidos e que vão ser destruídos, não serviam para produzir droga, mas maldosamente foi dito que era para produzir droga. Este produto existe para se fazer a separação da droga quando está contaminada com outros produtos". disse.

O governante pediu que "isto fique esclarecido, porque se criou aqui uma encenação" e "uma nebulosa".

Ao longo da audição, Luís Neves reagiu também às acusações que lhe têm sido dirigidas pelos deputados do Chega, considerando "injuriosas" algumas das expressões utilizadas nas últimas semanas.

O ministro rejeitou ainda ter proferido algumas das expressões que lhe foram atribuídas, designadamente num vídeo que circula nas redes sociais e distribuído por André Ventura em que o líder do Chega se queixa de ser alvo de ameaças durante um debate no parlamento.

"Nunca neste parlamento me dirigi diretamente a qualquer deputado, e muito menos aos senhores [dirigindo-se aos deputados do Chega], nunca disse a expressão que quiseram colocar na boca que 'vais pagá-las'", disse.

"O que disse foi 'vão levar comigo'", esclareceu.

Nas respostas aos deputados, Luís Neves destacou a atuação das forças de segurança e rejeitou qualquer ideia de conflito com a PJ, frisando que "quando é terrorismo, é terrorismo" e que a Polícia Judiciária tem vindo a deter e a desmantelar "estruturas internacionais" ligadas à criminalidade.

"Não há nenhum ajuste de contas com a minha instituição, que será sempre a minha instituição", afirmou.

O caso do atrelado, do carro apreendido e das obras em Odemira estão a ser alvo de investigação por parte do Ministério Público, tendo os dois primeiros processos um caráter urgente.

Estão ainda a decorrer uma investigação às obras em Odemira no Tribunal Administrativo e Fiscal (TAF) de Beja e um processo no Tribunal de Contas (TdC) relativo a uma contraordenação que resultou de um relatório datado de 2023 quando estava à frente da PJ.