Netanyahu ordena evacuação de colonatos na Cisjordânia
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ordenou a evacuação de colonatos na Cisjordânia, afirmou hoje o ministro das Finanças israelita, Bezalel Smotrich.
"Tanto quanto sei, Netanyahu deu a ordem para evacuar" os postos avançados, disse Smotrich durante uma conferência em Jerusalém, sem referir nomes, acrescentando que "não gostou dessa ordem".
Vários órgãos de comunicação israelitas noticiaram hoje que a ordem do primeiro-ministro foi consequência da pressão americana, citando o Ynet, o maior 'site' de notícias de Israel.
No final de agosto, Netanyahu prometeu continuar a estabelecer colonatos na Cisjordânia, ocupada por Israel desde 1967, apesar da crescente pressão internacional.
A construção e expansão de colonatos israelitas na Cisjordânia, ilegais segundo o direito internacional, aumentaram significativamente sob o Governo de Netanyahu.
Alguns colonatos são estabelecidos por decreto governamental, enquanto outros são postos avançados não autorizados, agrícolas ou de outra natureza, geralmente compostos por algumas caravanas ou estruturas improvisadas. A sua aprovação e subsequente legalização também aumentaram significativamente nos últimos anos.
Segundo o ministro Smotrich, a evacuação diz respeito a postos avançados construídos em áreas sob o controlo da autoridade palestiniana e sem autorização oficial das autoridades israelitas.
Smotrich, líder de um partido de extrema-direita que defende a anexação de toda a Cisjordânia, vangloriou-se hoje de ter liderado "uma revolução" ao construir e legalizar "aldeias, quintas, estradas e milhares de casas" na Cisjordânia ocupada.
Excluindo Jerusalém Oriental, ocupada e anexada por Israel, cerca de três milhões de palestinianos vivem na Cisjordânia, juntamente com mais de 500 mil israelitas que residem nestes colonatos.
A violência tem aumentado na Cisjordânia desde o ataque sem precedentes do movimento islâmico palestiniano Hamas contra Israel, a 07 de outubro de 2023, com ataques quase diários de colonos e incursões regulares em aldeias palestinianas.
O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, viajou no sábado para a Cisjordânia para apoiar os palestiniano-americanos que foram vítimas de ataques de colonos.
"A nossa mensagem é clara: crime é crime, ato terrorista é ato terrorista. Quem os comete deve esperar consequências severas", disse Huckabee.
O Presidente de Israel, Isaac Herzog, agradeceu hoje a Huckabee pela "postura firme" e por ter estado no sábado na Cisjordânia "para ver e documentar em primeira mão o que está a acontecer", segundo um comunicado da presidência.
Na sexta-feira, a Organização das Nações Unidas (ONU) acusou Israel de deslocar à força populações palestinianas inteiras de três campos de refugiados na Cisjordânia durante várias operações realizadas em janeiro e fevereiro de 2025, admitindo receios de uma possível limpeza étnica.
Num relatório intitulado "Destruição dos Campos de Refugiados Palestinianos no Norte da Cisjordânia", o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos refere que militares, polícias e outras forças mobilizadas na zona mataram civis, destruíram centenas de casas, danificaram estradas e outras infraestruturas, cortaram o fornecimento de água e eletricidade e bloquearam o acesso humanitário aos campos de Jenin, Nur Shams e Tulkarm, no norte da Cisjordânia.