Alunos de Espanha, França e Alemanha com piores resultados de sempre
Os alunos de 15 anos de Espanha, França e Alemanha estão no nível mais baixo de sempre na leitura, matemática e ciências, avançou o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) num relatório hoje divulgado.
O estudo, coordenado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) para medir o desempenho dos jovens nestas três áreas, mostra um declínio global nestas competências, o que é explicado parcialmente com o impacto da digitalização e os hábitos de estudo.
A tendência estende-se a quase toda a Europa, com exceção de Reino Unido, Irlanda, com melhor classificação em termos de leitura, e Estónia.
De acordo com o estudo, os resultados dos alunos espanhóis, franceses e alemães no PISA 2025 foram os mais baixos alguma vez registados desde a criação da classificação em 2000.
Em Espanha, a leitura foi a área que apresentou maior queda, fixando-se nos 451 pontos, o que representa uma queda abrupta de 23 pontos face a 2022 e 10 pontos abaixo do mínimo histórico de 2006.
Com este resultado, os alunos espanhóis situam-se cerca de meio ano letivo atrás da média geral da OCDE nesta competência básica.
As competências de leitura foram, também na Alemanha, as que registaram maior recuo, com os dados a mostrar que um em cada três jovens alemães tem sérias dificuldades em compreender o que lê.
Já em França, foi na matemática que a queda foi mais acentuada, mas a leitura também passou a ser mais difícil para os alunos de 15 anos.
Na região nórdica, a Finlândia consolidou um declínio que já vinha a apresentar e que retirou ao país o título de superpotência educativa mantido nos anos 2000, enquanto a Suécia conseguiu estabilizar os resultados após graves problemas registados nas edições da década passada.
Mais a leste, a Polónia, apesar de ter registado uma ligeira descida dos desempenhos, continua a posicionar-se acima da média da UE graças a um modelo curricular focado nas ciências e no desenvolvimento cognitivo precoce.
O estudo PISA 2025 continuou, este ano, a ser dominado pela Ásia, que, no entanto, também apresentou o pior desempenho de sempre, sobretudo na área da leitura.
Quatro províncias chinesas e Singapura lideram o 'ranking', com Pequim, Xangai, Jiangsu e Zhejiang a registar os melhores valores em ciências e matemática, a área mais desenvolvida nesta edição, e Singapura a dominar a compreensão de leitura. Macau, Taiwan, Japão e Coreia do Sul completam o topo.
Refira-se que, ao contrário dos estudantes europeus, cuja atividade letiva termina normalmente a meio da tarde, a maioria dos estudantes em locais como a Coreia do Sul, Hong Kong ou Singapura tem explicações à noite e aos fins de semana, dedicando muito mais tempo aos estudos.
Do outro lado do Atlântico, o Canadá consolidou-se como potência educativa, demonstrando grande equidade entre alunos locais e migrantes, enquanto os Estados Unidos beneficiaram da queda global para subir no 'ranking'
Embora e rendimento dos alunos norte-americanos em ciências e matemática tenha ficado praticamente estagnado, houve uma queda na leitura, mas o país subiu várias posições na lista mundial.
Analistas alertaram que a tendência de declínio é global e mantém a rota já apontada no relatório anterior, relativo ao ano 2022.
A queda mais acentuada na compreensão da leitura é "particularmente preocupante, dado que a leitura é a porta de entrada para a maior parte da aprendizagem escolar", sublinhou a OCDE.
A organização referiu vários fatores que podem explicar este recuo, incluindo a transformação das práticas de leitura ligadas à utilização generalizada dos ecrãs, o declínio do interesse dos jovens pela leitura e as mudanças de atitude em relação à escola observadas desde a pandemia da covid-19, em 2020.
Para alterar a tendência global, a OCDE recomendou redirecionar os esforços para o domínio de competências fundamentais, prestar um melhor apoio aos professores, aumentar o envolvimento dos pais, reforçar o apoio às escolas com maiores dificuldades e utilizar as tecnologias digitais como uma ferramenta para melhorar a aprendizagem, "em vez de serem uma forma de a contornar".
O estudo PISA, publicado de três em três anos (a partir de agora passa a ser de quatro em quatro), assume-se como um barómetro global do desempenho dos sistemas educativos e é acompanhado de perto pelos governos.
A edição referente a 2025 contou com a participação recorde de mais de 760 mil alunos oriundos de 91 países e economias.