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Autarca responsabiliza Marrocos por crise de julho e pede resposta da UE

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O presidente da Câmara de Ceuta acusou hoje Marrocos de ter tido um "papel decisivo, por ação ou omissão", na crise migratória de julho e exigiu à UE uma "resposta contundente".

Numa conferência de imprensa no Parlamento Europeu, em Bruxelas, no âmbito de uma visita às instituições europeias, Juan Jesús Vivas considerou que a crise migratória que se viveu em Ceuta em julho "só foi possível graças à participação ou ao consentimento de Marrocos".

"E faço esta afirmação, que considero de grande gravidade, porque significa um comportamento absolutamente incorreto e de falta de respeito não só para com Ceuta, para com Espanha, mas também para com a União Europeia", declarou.

O presidente da Câmara Municipal de Ceuta, do Partido Popular (PP, direita, na oposição) afirmou responsabilizar Marrocos pela entrada de milhares de imigrantes na cidade em julho com base em "três factos objetivos".

"O primeiro é porque é impossível que haja um movimento de 80 mil pessoas sem que as autoridades marroquinas tenham conhecimento. O segundo é porque há relatórios da polícia espanhola que mostram, com imagens, que agentes marroquinos estavam a guiar as pessoas para a fronteira", referiu.

E o terceiro é que não "é a primeira vez que Marrocos" recorre ao "controlo fronteiriço e à pressão migratória para desestabilizar" Ceuta e Melilla, afirmou.

"Marrocos teve, por ação ou omissão, um papel determinante, um papel decisivo, na invasão dos dias 30 e 31 de julho", reforçou Juan Jesús Vivas, que acusou Marrocos de "manter uma política constante de hostilidade" e de "assediar e tentar destruir" os dois territórios espanhóis no norte de África: Ceuta e Melilla.

"Já não sou novo e desde criança que vejo Marrocos manter uma atitude hostil e tentar estrangular economicamente as nossas sociedades", afirmou, considerando que, desta vez, Marrocos "conseguiu abater a moral dos cidadãos de Ceuta".

"Ceuta é hoje uma cidade diferente da que era no dia 29 de julho. Os ceutenses perderam a tranquilidade, a alegria, tiveram de mudar os seus hábitos de vida. Vivem hoje uma situação de alto risco a nível de segurança, do funcionamento dos serviços, da convivência... Ceuta é uma panela de pressão que pode rebentar a qualquer momento", avisou.

Nesse contexto, o autarca de Ceuta defendeu que a UE deve mostrar que não está disponível para aceitar cooperar com um país que não respeita a soberania das fronteiras europeias, referindo-se a Marrocos.

"É necessária uma resposta contundente da Europa, transmitindo a Marrocos que, se quer uma política de cooperação frutífera e benéfica, tem de haver respeito. E o respeito começa por respeitar as nossas fronteiras e a nossa integridade territorial", defendeu.

O autarca pediu também que a UE crie um "estatuto especial" para Ceuta e Melilla, que podia ser parecido com o das regiões ultraperiféricas, e que haja uma "presença mais expressiva e visível" de agentes da Frontex e da Agência Europeia para o Asilo nos dois territórios.

"E também pedimos maior apoio financeiro para realizar obras de infraestruturas nas fronteiras e para ajudar na resposta humanitária urgente que foi provocada pela invasão, designadamente no que se refere aos menores não acompanhados", disse, considerando tratar-se de uma questão espanhola e também europeia.

Questionado sobre porque considera que o Governo espanhol se recusa a responsabilizar as autoridades marroquinas pela crise migratória, ao contrário do que ele próprio faz, o autarca disse caber ao executivo justificar-se, mas considerou que a sua opinião é "partilhada pela maioria da população espanhola".

"Acho que o Governo não esteve à altura do que as suas atribuições constitucionais exigiam nem antes, nem durante, nem depois da invasão", afirmou.

Em 30 e 31 de julho, pelo menos 72 mil pessoas, procedentes de Marrocos, entraram ilegalmente no enclave espanhol.