Marítimo ameaça avançar para tribunal por críticas ao relvado
Clube entrega aos serviços jurídicos acusações de que terá pintado o relvado e admite agir contra autores de imagens antigas divulgadas como actuais
O Marítimo vai recorrer aos seus serviços jurídicos na sequência das afirmações públicas de que terá pintado de verde o relvado do estádio para disfarçar o seu mau estado e admite avançar judicialmente contra os responsáveis pela divulgação de imagens antigas apresentadas como actuais.
A posição surge depois das muitas críticas ao estado do terreno de jogo, antes, durante e após o encontro com o Benfica. Em comunicado, a Direcção reconhece o problema e garante que “ninguém está mais preocupado com o estado do relvado do Estádio do Marítimo do que o próprio Marítimo”, explicando as razões que, no seu entender, contribuíram para a situação.
Uma delas está relacionada com o Complexo Desportivo da Ribeira Brava. Segundo o clube, ainda na época passada foi manifestado formalmente ao Governo Regional o interesse em renovar o protocolo para utilização daquela infra-estrutura, onde a equipa profissional deverá realizar os treinos diários.
O contrato, que contempla também a renovação dos relvados do complexo, permanece, segundo o Marítimo, em análise na Sociedade Ponta Oeste e ainda não foi assinado.
Esta situação terá obrigado a equipa principal a dividir os treinos entre o Complexo de Santo António e o próprio Estádio do Marítimo. Santo António já acolhe as equipas feminina e sub-23, pelo que o clube sustenta que a utilização do estádio para treinos acabou por sobrecarregar um relvado que deveria estar essencialmente reservado à competição.
Após a terceira jornada, a Direcção decidiu suspender totalmente os treinos no estádio para permitir a recuperação do terreno. O Marítimo refere que o processo necessita de tempo, particularmente devido às condições de calor e humidade registadas na Madeira nesta altura do ano.
O clube revela também que mudou a empresa responsável pela manutenção. A anterior prestadora do serviço “não conseguiu garantir as condições exigidas pela Direcção”, razão pela qual o contrato não foi renovado. Desde 1 de Junho que os trabalhos estão entregues a uma nova empresa.
Paralelamente, o Marítimo solicitou a intervenção da Liga Portugal e garante estar a trabalhar com os respectivos serviços técnicos numa intervenção no relvado, já em curso.
Clube rejeita que tenha pintado relvado
Mais dura é a posição assumida relativamente às informações que circularam nos últimos dias. O Marítimo rejeita categoricamente que tenha recorrido a tinta verde para disfarçar as deficiências do relvado.
“É falso. É totalmente falso”, afirma o clube, garantindo que “não pintou o relvado do Estádio, nem nunca o fará”.
A Direcção lamenta que, depois do jogo, não tenha registado qualquer “correcção pública, retratação ou pedido de desculpas” por parte de quem divulgou a acusação.
O clube denuncia igualmente a circulação nas redes sociais de fotografias captadas em 2021, alegadamente apresentadas como se retratassem o estado actual do terreno. Para o Marítimo, não se trata de crítica ou opinião, mas de “desinformação, pura e simples”.
É neste contexto que o clube anuncia ter entregue aos serviços jurídicos as afirmações feitas por “alguns comentadores e jornalistas”, em particular a alegação de que o relvado teria sido pintado, para que sejam adoptadas as diligências consideradas adequadas.
Quanto às fotografias com cinco anos, o Marítimo diz estar a recolher e preservar provas e anuncia que “agirá judicialmente contra os seus autores, na medida em que venham a ser identificados”.
Apesar da reacção, o clube reconhece como legítimas as críticas fundamentadas ao estado do relvado, mas estabelece uma separação entre essas apreciações e aquilo que considera informações falsas.
“Criticar é legítimo. Mentir não é”, sustenta a Direcção, que garante continuar a trabalhar para recuperar o relvado e colocá-lo “à altura da sua história e dos seus Sócios e adeptos”.