Espanha pede apoio à UE para triagem dos migrantes que permanecem em Ceuta
O Governo espanhol solicitou hoje à Comissão Europeia o apoio da Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira (Frontex) e da Europol para as tarefas de triagem dos migrantes que permanecem na cidade autónoma espanhola de Ceuta.
O ministro do Interior espanhol, Fernando Grande-Marlaska, enviou uma carta à diretora-geral de Migração e Assuntos Internos da Comissão, Beate Gminder, em resposta à proposta que esta fez ao embaixador de Espanha junto da União Europeia (UE) para que diversas agências europeias prestassem assistência na crise migratória que começou após a entrada em massa de migrantes procedentes de Marrocos nos últimos dias de julho (30 e 31) naquele enclave espanhol no norte de África.
Marlaska solicitou o reforço, por parte da Frontex, da Europol (a agência europeia de cooperação policial) e da Agência da União Europeia para o Asilo (EUAA), do dispositivo posto em marcha para fazer face à gestão da triagem e ao tratamento dos processos dos migrantes que ainda permanecem em Ceuta em situação irregular.
Além disso, no caso da Frontex, o Ministério do Interior de Espanha solicitou o prolongamento "até que seja possível" da duração da operação fronteiriça "Minerva", que abrange atualmente os portos de Algeciras, Tarifa e Ceuta no âmbito da operação "Passagem do Estreito" até ao próximo dia 02 de setembro.
A Espanha solicitou 10 agentes adicionais da Frontex para a triagem, com o objetivo de agilizar a recolha de informações dos migrantes que ainda não foram submetidos a esse procedimento.
O Governo central de Madrid considerou igualmente de grande utilidade a assistência na realização de entrevistas e a disponibilização de intérpretes, embora o trabalho desses profissionais possa ser realizado à distância.
Após a conclusão da triagem e, se for o caso, do procedimento de asilo na fronteira, o Ministério do Interior espanhol concretizará a assistência da Frontex necessária para executar determinados regressos através dos mecanismos de mediação e acordos que a agência mantém com diversos países de origem.
A Espanha solicitou, a 24 de agosto, ajuda de emergência no valor de mais de 32 milhões de euros, a cargo dos fundos de Asilo, Migração e Integração (FAMI) e do Instrumento de Gestão de Fronteiras e Vistos (IGFV).
Por último, a carta pediu a manutenção do sistema denominado "EUROSUR Fusion Services", operado pela Frontex, que fornece imagens de satélite da fronteira com Marrocos destinadas à vigilância de zonas marítimas, portos, costas ou áreas pré-fronteiriças relevantes.
Estes pedidos surgem num momento em que têm ocorrido manifestações em Ceuta contra a presença dos migrantes.
Centenas de pessoas voltaram a sair hoje às ruas de Ceuta, numa nova marcha para protestar contra a chegada de migrantes.
A marcha dos moradores foi convocada pela plataforma "Ceuta Unida" através das redes sociais e de grupos do WhatsApp, que tem impulsionado algumas das mobilizações para denunciar o mal-estar em relação à gestão da crise migratória.
Os manifestantes gritavam palavras como "Invasores, expulsão" e empunhavam bandeiras de Espanha.
Segundo o relato das agências internacionais, por volta das 19:30 locais (18:30 em Lisboa) teve início, de forma pacífica, a manifestação dos moradores em direção à zona das praias do Trampolín e Benítez, onde continuam acampados grupos de migrantes que chegaram no final de julho.
A marcha percorreu as principais artérias de Ceuta, passando pelos diferentes bairros da cidade autónoma para que os vizinhos pudessem ir-se juntando à mesma, com o objetivo de criar uma única mobilização cidadã.
Na quinta-feira, uma manifestação semelhante resultou no bloqueio, por mais de duas horas, do acesso de um camião da Cruz Vermelha carregado de alimentos que seguia para entregar ajuda humanitária aos migrantes.
Apesar de descreverem a manifestação de quinta-feira como pacífica, alguns manifestantes atearam fogo a tendas e acampamentos improvisados.