“Não é mau. É péssimo”
CAP alerta para riscos da PAC e defende reforço do financiamento agrícola
O debate sobre o futuro da Política Agrícola Comum (PAC) está a assumir “uma importância muito grande” e gera “contínuo” motivo de preocupação quanto ao seu enquadramento financeiro e aos impactos no equilíbrio entre políticas agrícolas e de coesão. O alerta foi deixado esta terça-feira pelo presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Álvaro Mendonça e Moura, na abertura da conferência sobre o programa LEADER e o futuro da PAC, em Santarém.
Na intervenção, o dirigente foi particularmente crítico em relação à proposta em discussão para o próximo quadro comunitário. “Continuo preocupado com a futura política comum”, afirmou, sublinhando que a versão apresentada em 2025 “não é mau. É péssimo”, sobretudo pelo risco de gerar “um conflito entre agricultura e coesão”.
O presidente da CAP recordou ainda a evolução da agricultura europeia nas últimas décadas, destacando o peso actual do sector. “Somos hoje a primeira potência agrícola do mundo. Não éramos na altura da CEE”, referiu, numa leitura que enquadra a importância estratégica da produção alimentar no contexto europeu.
Para o responsável, a fragilidade estrutural do rendimento agrícola continua a ser um dos principais problemas do sector. “O rendimento médio dos agricultores na União Europeia é 60% da média de todas as outras profissões”, afirmou, apontando este desfasamento como um dos factores que explica as dificuldades na renovação geracional.
Esta realidade ganha particular relevância em territórios como a Região Autónoma da Madeira, onde os constrangimentos estruturais são agravados pela insularidade, pela fragmentação da produção e pelos custos acrescidos de transporte. A CAP defende, por isso, que a futura PAC deve ser suficientemente robusta para responder a estas assimetrias, garantindo que regiões ultraperiféricas não ficam penalizadas no acesso aos apoios.
No mesmo contexto, Álvaro Mendonça e Moura sublinhou que o reforço do financiamento agrícola e a articulação com políticas de desenvolvimento rural são essenciais para garantir coesão territorial e manter comunidades rurais vivas, alertando que os desafios do interior e das ilhas exigem respostas integradas e consistentes.
A conferência conta com a participação do secretário regional de Agricultura e Pescas da Madeira, Nuno Maciel, que integra o painel de debate dedicado ao enquadramento do programa LEADER no futuro da PAC.