“Isso é demagogia do PS”
Albuquerque defende decisão técnica após concurso do hospital ficar deserto
O presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, rejeitou as críticas do PS-Madeira e classificou como “demagogia” a acusação de que o Executivo terá lançado o concurso da 3.ª fase do Hospital Central e Universitário da Madeira com uns preço-base inferior ao valor de uma estimativa técnica anterior.
Em causa está o concurso público lançado em Agosto de 2025, com uns preço-base de 265 milhões de euros, apesar de existir um estudo elaborado por uma equipa técnica ligada ao procedimento que apontava para um custo na ordem dos 320 milhões de euros. A diferença de valores levou à ausência de propostas por parte das empresas qualificadas, deixando o procedimento deserto.
Perante as acusações de que o Governo teria ignorado informação técnica disponível há mais de um ano, o chefe do Executivo regional recusa qualquer responsabilidade política e defende que o processo foi conduzido dentro dos parâmetros legais e financeiros existentes.
“Isso é mais uma demagogia do Partido Socialista. Toda a gente sabe que foi a subida dos preços da construção nos últimos anos e isso é uma situação técnica que será avaliada tecnicamente”, afirmou.
Miguel Albuquerque sublinhou que o lançamento do concurso teve por base o enquadramento jurídico e financeiro disponível à data, rejeitando qualquer leitura de decisão política deliberada para condicionar o resultado do procedimento.
Segundo o governante, a ausência de concorrentes obriga agora a uma revisão dos valores-base, de forma a adequar o concurso à realidade dos custos actuais de materiais e mão-de-obra e permitir o relançamento do procedimento.
“Lançámos o concurso com o quadro que tínhamos. Ficou deserto e agora vamos actualizar o preço dentro do quadro legal e tecnicamente apurado para termos concorrentes”, explicou.
A 3.ª fase do Hospital Central e Universitário da Madeira é considerada a maior empreitada pública em curso no País e essencial para o reforço da capacidade hospitalar na Região.
O caso motivou críticas do PS-Madeira, que quer apurar as razões da discrepância entre a estimativa técnica e o preço-base do concurso, alertando para o risco de nova derrapagem nos prazos e no custo final da obra, que poderá aproximar-se dos mil milhões de euros.