A Autonomia não é um dado adquirido
Em 2026, assinalam-se 50 anos desde que a Constituição da República Portuguesa consagrou o Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma da Madeira. 50 anos constituem um marco importante, mas, talvez, mais importante do que celebrar a data, seja refletir sobre aquilo que ela significa.
Quando falamos de Autonomia, existe uma tendência para a associarmos apenas aos partidos políticos, aos governos regionais ou à Assembleia Legislativa. Como se fosse um assunto reservado aos decisores políticos. Contudo, a Autonomia não nasceu para servir os políticos. Nasceu para servir os madeirenses.
A Autonomia permitiu que muitas das decisões sobre o nosso futuro deixassem de ser tomadas a centenas de quilómetros de distância. Trouxe capacidade de decisão, proximidade aos problemas e maior responsabilidade sobre os caminhos que escolhemos seguir enquanto Região. Porém, a Autonomia não é somente um conjunto de competências administrativas ou legislativas. É, acima de tudo, uma conquista coletiva.
Talvez por isso seja importante recordar que nenhuma conquista é eterna. Existe o risco de olharmos para a Autonomia como algo garantido, permanente e impossível de perder. A história ensina-nos precisamente o contrário. Os direitos, as liberdades e as conquistas democráticas mantêm-se vivos apenas quando existem cidadãos dispostos a defendê-los.
As novas gerações, em particular, têm a responsabilidade de conhecer o significado da Autonomia, não para repetir discursos ou alimentar divisões, mas para compreender o valor daquilo que foi alcançado. É difícil proteger aquilo que não se conhece e é impossível valorizar aquilo que se considera adquirido.
Celebrar 50 anos de Autonomia não deve ser apenas um exercício de memória. Deve ser também um compromisso com o futuro. Um compromisso de participação, de cidadania e de responsabilidade. Porque a Autonomia não é um património de governos, nem de partidos, nem de políticos.
A Autonomia é de todos.
E continuará a ser apenas enquanto todos estivermos dispostos a cuidar dela.