“Presunção e água benta”...
Queria escrever sobre outra coisa, mas não resisto...
Nem tudo pode ser considerado “ataque” pessoal, mas há coisas que me tiram do sério. Há pessoas amargas, grosseiras e medíocres. Cada um só oferece aquilo que tem e isso não tem de ser problema meu. Impressiona-me a facilidade com que se muda de comportamento/opinião, qual folha do álamo, sem que para isso haja uma razão aceitável. Recorre-se ao insulto imediato, mascarado de opinião inocente, como se o direito de liberdade de expressão fosse pertença exclusiva de alguns. Em tempo de embustes universais dizer a verdade é quase um acto revolucionário ou um passaporte para o cadafalso, especialmente em meios pequenos. Olhar para o lado é escolher não ver. Lamento, mas essa não é e, espero, nunca será a minha escolha. Há pessoas que não têm identidade. Têm acessórios. Não têm conteúdo. Apenas embalagem. Sinto desprezo pelas suas reacções, pois julgam-se importantes e com larga experiência de retórica. Não sei como ainda não formalizaram a candidatura a património imaterial da humanidade, de tão valioso atributo. Neste mundo conturbado do vale tudo em que vivemos, o orgulho e a sensação de grandeza devem ter afectado muitas mentes. É a justificação mais plausível que me ocorre. Não contem comigo para promoção social de alguém que apregoa manifestos de honra e orgulho, mas cujo único objectivo é a conquista de ambições individuais. Quem tem valor não o anuncia e quem tem carácter não o exibe. Certo?
Olho à minha volta e o que vejo, incomoda-me. As pessoas continuam, voluntariamente ou não, a revelar dificuldade em emancipar-se do temor de questionar, duvidar, opinar e exigir. Mas são muito hábeis a comentar “tudo o que mexe”, se isso lhes trouxer benefícios e deixá-las bem vistas perante quem acham que lhes serve os seus interesses pessoais. A bajulação e a honra vestem a mesma roupa, mas o carácter é diferente. Se isto não é uma corrente de estupidez generalizada, não sei o que será.
“Só sabe o que vai no convento, quem está lá dentro”. Eu conheço bem o “convento“. E isto não é fácil de gerir, numa localidade onde todos se conhecem, e onde todos parecem saber mais da vida alheia do que da sua própria. Há por aqui muitos “pavões “ a abrir as penas para compensar aquilo que lhes falta por dentro.
A vida tem o estranho hábito de nos ensinar as maiores lições quando já percorremos grande parte do caminho, mas é sempre tempo de aprender, independentemente da idade. Não podemos voltar atrás e corrigir os erros, mas é de bom senso que evitemos perder a noção da realidade, para não perdemos também a noção do ridículo. Há, no entanto, quem nunca aprenda porque o orgulho é maior.
Não pretendo deixar de me expressar livremente sempre que achar oportuno, sobre o que quer que seja, enquanto na posse das minhas faculdades mentais. Não faço questão de agradar a ninguém, nem é meu propósito ferir susceptibilidades. Desprezo sonsos, abomino hipócritas e afins. Porque sou presunçosa.
E, “Presunção e água benta cada um toma a que quer”.
Madalena Castro