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Seguro cita Carney sobre potências médias e defende "comunidade atlântica ampla"

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Foto ANTÓNIO COTRIM/LUSA

O Presidente da República citou hoje o primeiro-ministro do Canadá sobre o papel das potências médias e defendeu a construção de uma "comunidade atlântica ampla", conjugada com uma "parceria renovada com os Estados Unidos".

Em matéria de relações transatlânticas, segundo António José Seguro, deve haver "a ambição e a capacidade de construir uma comunidade atlântica ampla, assente em valores e interesses partilhados", com "um olhar" sobre o Atlântico "que não se pode fixar apenas nos Estados Unidos", e que passa por "uma ponte entre a Europa e o Canadá, a América Latina e a África".

Num discurso na abertura de uma conferência comemorativa do 2.º aniversário do canal Now, num hotel de Lisboa, o chefe de Estado criticou as "superpotências que querem ser países-império" -- visando também, embora sem os nomear, os Estados Unidos da América.

António José Seguro apontou, entre outros exemplos, "as ameaças sobre a soberania da Gronelândia e o controlo do canal do Panamá" e "a intervenção militar em Caracas, na Venezuela", assim como "a invasão da Ucrânia pela Rússia" e "a militarização de ilhas artificiais no Mar do Sul da China".

O Presidente da República referiu ainda "as guerras das tarifas e das terras raras, os ciberataques, a guerra híbrida, as frotas fantasma" e "a própria corrida ao espaço e à Lua" em "disputa pela apropriação de recursos" como sinais de que se entrou "na época do 'hard power', em que ressurgem comportamentos de Estados-império".

A seguir, citou a encíclica "Magnifica Humanitas", do Papa Leão XIV sobre o desenvolvimento da inteligência artificial e o discurso do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, em Davos, sobre "a rutura na ordem mundial" e o papel das potências médias, como "talvez os dois grandes testemunhos de reflexão produzidos este ano à escala mundial".

O chefe de Estado destacou a frase de Carney "o poder dos menos poderosos começa com a honestidade", e afirmou: "Retenham esta frase, porque é precisamente aqui que a Europa e Portugal têm de se situar". 

António José Seguro reiterou, neste contexto, a necessidade de "autonomia estratégica europeia", que no seu entender "não se pode reduzir a um slogan, é uma condição de sobrevivência" e exige "uma defesa comum, com um arranjo institucional sólido e recursos adequados" e "autonomia energética e tecnológica".

"E exige, sublinho-o nesta conferência dedicada às relações transatlânticas, uma parceria renovada com os Estados Unidos. Um relacionamento que perdure, com compromissos entre iguais, com lealdade e reciprocidade e sem subserviência nem rutura. É uma ilação que faz parte do nosso dia a dia, fácil de concluir: a verdadeira amizade não exige concordância permanente, afirma-se, sim, com respeito mútuo", acrescentou.

Para o Presidente da República, "outra ilação" que já se está "a tentar concretizar" é "um olhar" sobre o Atlântico mais alargado, "que não se pode fixar apenas nos Estados Unidos".

"A ambição e a capacidade de construir uma comunidade atlântica ampla, assente em valores e interesses partilhados, é uma das maiores oportunidades estratégicas do presente. Mais ainda, quando o mundo se fragmenta em blocos. Portugal, pela sua história, pela sua língua e pela sua geografia, está em posição singular para ajudar a tecer essa rede", defendeu.