DNOTICIAS.PT
Madeira

André Panno Beirão aponta dilema na afirmação de Portugal no Atlântico

País deve ultrapassar visão centrada no passado marítimo, defende especialista brasileiro

None
Foto Nélio Silva/ Aspress

O segundo painel do segundo dia da Grande Conferência do Mar do Jornal Economia do Mar na Madeira decorre esta manhã no Hotel Pestana Casino Park, sob o tema ‘Afirmação de Portugal no Atlântico’.

A sessão conta com as intervenções de Nuno Chaves Ferreira, director-geral da autoridade marítima, Ricardo Jorge Amaral Bessa, comando operacional da UCCF, e do professor do Doutoramento em Estudos Marítimos da EGN-Brasil, André Panno Beirão, que interveio por videoconferência.

O académico brasileiro alertou para o que considera ser um dilema estratégico de Portugal na forma como se posiciona no espaço atlântico, defendendo que o país deve ultrapassar uma visão excessivamente centrada no passado e assumir uma estratégia orientada para o futuro.

André Panno Beirão começou por sublinhar a necessidade de Portugal clarificar a sua vocação geopolítica no contexto do Atlântico, questionando se o país se assume como um ator do Atlântico ou do Atlântico Norte.

“Vou tentar falar sobre os dilemas de um país com vocação oceânica, no caso de Portugal”, afirmou, identificando como eixo central da sua intervenção a tensão entre vocação atlântica e projeção estratégica contemporânea.

Para o especialista, o debate português tem sido, por vezes, condicionado por uma leitura excessiva do passado marítimo nacional.

“Percebo um certo exagero na afirmação de algo que é ponto pacífico, que é a vocação histórica de Portugal com as grandes navegações”, referiu, sublinhando que esse enquadramento não deve substituir uma leitura estratégica do presente e do futuro.

André Panno Beirão defendeu que Portugal deve funcionar como uma “ponte para o futuro”, evitando uma valorização excessiva da narrativa histórica.

“O que importa é a ponte para o futuro”, afirmou, acrescentando que o essencial é avaliar a capacidade do país para competir e afirmar-se no presente e no futuro do espaço atlântico.

O investigador destacou ainda que Portugal tem conseguido posicionar-se como um espaço de debate e reflexão sobre o Atlântico, reunindo iniciativas e conferências que reforçam essa centralidade.

“Portugal tem procurado chamar a si, tornando-se um epicentro geográfico desse debate”, argumentou.

De referir que o deputado à Assembleia da República Paulo Neves, um dos oradores convidados, não pôde estar presente, à semelhança do presidente da Câmara Municipal do Funchal, Jorge Carvalho, uma vez que acompanha a visita do Presidente da República à Madeira. A moderação está a cargo de Gonçalo Magalhães Collaço.

Coesão Territorial "deve ser responsabilidade do Governo central"

O segundo e último dia da Grande Conferência do Mar do Jornal Economia do Mar na Madeira arrancou, esta manhã, no Hotel Pestana Casino Park, com o painel ‘Desafio da Subsidiariedade e Concretização da Estratégia Nacional para o Mar’.

Carlos Rodrigues defende tutela do mar entregue às regiões autónomas

Carlos Rodrigues critica o "cinismo" do Estado e da União Europeia em relação à descentralização

"A Europa não acaba no Cabo da Roca"

Guilherme Silva diz que Portugal tem falhado na valorização do contributo estratégico das regiões autónomas para a UE