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Madeira

"A Europa não acaba no Cabo da Roca"

Guilherme Silva diz que Portugal tem falhado na valorização do contributo estratégico das regiões autónomas para a UE

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Foto Nélio Silva/ Aspress

O antigo vice-presidente da Assembleia da República Guilherme Silva considerou que Portugal tem falhado na valorização do seu papel estratégico junto da União Europeia, defendendo uma maior afirmação do contributo nacional e das regiões autónomas para o espaço europeu.

A posição foi assumida durante o painel 'Desafio da Subsidiariedade e Concretização da Estratégia Nacional para o Mar', integrado na Grande Conferência do Mar do Jornal Economia do Mar, que decorre no Funchal.

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O segundo e último dia da Grande Conferência do Mar do Jornal Economia do Mar na Madeira arrancou, esta manhã, no Hotel Pestana Casino Park, com o painel ‘Desafio da Subsidiariedade e Concretização da Estratégia Nacional para o Mar’.

Questionado sobre a forma como Portugal se posiciona perante a União Europeia, Guilherme Silva começou por rejeitar a ideia de que o País deve ser visto apenas como receptor de apoios comunitários.

"É preciso, de uma vez por todas, eliminar a ideia de que Portugal é aquele parente pobre que, em termos europeus, só tem uma vertente, que é a vertente dos apoios, a vertente dos subsídios e, portanto, que é apenas um beneficiário", afirmou.

Para o antigo governante e dirigente político, Portugal deve desenvolver uma estratégia permanente de afirmação do seu valor geopolítico, económico e estratégico, em particular através da sua dimensão atlântica.

"Portugal também tem de fazer esse esforço através da sua diplomacia e dos seus órgãos próprios, desenvolver uma pedagogia que deve ser permanente. Nós somos um valor acrescentado para a Europa", defendeu.

Guilherme Silva sustentou que esse contributo é particularmente visível através das regiões autónomas, que alargam a presença europeia no Atlântico e reforçam a importância estratégica de Portugal.

"A Europa não acaba no Cabo da Roca, no Cabo Finisterra ou na Ponta de Sagres, porque há as regiões autónomas portuguesas. A Europa vai também pelo Atlântico, por força deste valor acrescentado", declarou.

Na sua opinião, esse papel continua sem ser devidamente reconhecido pelas instituições europeias, mas também pelo próprio Estado português.

"Este valor acrescentado tem de ser valorizado, e não tem sido", afirmou, defendendo uma acção mais persistente de divulgação, informação e reivindicação junto das instâncias europeias.

Questionado sobre as razões para essa falta de afirmação, apontou responsabilidades ao centralismo do Estado.

"Há um pecado antigo, um pecado interno. Nós temos uma história de esquecimento das próprias regiões insulares por parte do poder central e por parte do nosso centralismo", concluiu.

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