Putin insiste com Arménia para fazer referendo sobre as suas ambições europeias
O presidente russo insistiu hoje, durante uma conversa telefónica com o primeiro-ministro arménio, Nikol Pashinian, para que a Arménia organize um referendo sobre uma adesão à União Europeia, num momento de tensão entre Moscovo e Erevan.
Aliada da Rússia, com a qual partilha séculos de história, a Arménia iniciou nos últimos meses uma aproximação aos países ocidentais impulsionada por Pashinian, cujo partido venceu as eleições legislativas em junho.
Esta mudança de rumo e a ambição manifesta do chefe do governo arménio de integrar o seu país na UE criaram algum gelo nas relações entre Erevan, capital arménia, e Moscovo retaliou, aplicando sanções contra a Arménia.
A Rússia proibiu, por exemplo, a importação de produtos agrícolas arménios, para os quais é um mercado-chave.
Durante a sua conversa telefónica de hoje, o presidente russo, Vladimir Putin, "salientou que era necessário organizar na Arménia, o mais breve possível, um referendo nacional sobre a adesão à UE", segundo um comunicado do Kremlin.
Pashinyan afirmou que tal referendo, "na prática, só é possível depois de a Arménia ter apresentado um pedido oficial de adesão à União Europeia e apenas quando esta questão assumir um caráter concreto", segundo os seus serviços.
O Gabinete do Primeiro-Ministro arménio também disse que os dois responsáveis políticos discutiram "problemas nas relações económicas bilaterais" entre ambos os países e que Pashinyan "pediu que fossem tomadas medidas para resolver esses problemas".
A questão das sanções russas não aparece na declaração de Moscovo.
Apesar da sua aproximação com o Ocidente, Pashinyan afirmou querer manter fortes laços com a Rússia, país que por sua vez considera a Arménia parte da sua esfera de influência.
Putin já tinha avisado Erevan para não repetir o "cenário ucraniano".