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Guerra no Irão Mundo

Netanyahu volta a ameaçar Beirute e mantém operações no sul do Líbano

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Foto Shutterstock

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou hoje que transmitiu ao Presidente norte-americano, Donald Trump, que atacará Beirute se o seu país for visado pelo grupo xiita Hezbollah, ao mesmo tempo que mantém as operações militares no sul do Líbano.

"Conversei com o Presidente Trump esta noite e disse-lhe que, se o Hezbollah não cessar os ataques às nossas cidades e cidadãos, Israel atacará alvos terroristas em Beirute. A nossa posição sobre este assunto mantém-se inalterada", declarou Netanyahu em comunicado.

Em simultâneo, disse que "as Forças de Defesa de Israel continuarão a operar como planeado no sul do Líbano".

Esta declaração surge pouco depois de Trump ter anunciado que obteve um compromisso do chefe do Governo israelita e do Hezbollah para uma suspensão dos confrontos.

A Embaixada do Líbano em Washington indicou que as autoridades libanesas receberam a confirmação da adesão do Hezbollah a uma "cessação mútua dos ataques", num comunicado divulgado pela presidência do Líbano.

A representação libanesa detalhou que o acordo implica a suspensão dos ataques israelitas a Dahieh, nos subúrbios sul de Beirute e um bastião do grupo xiita apoiado pelo Irão, "em troca do compromisso do Hezbollah de se abster de lançar ataques contra Israel, sendo o cessar-fogo estendido a todo o Líbano".

Netanyahu tinha ordenado hoje de manhã o bombardeamento da periferia da capital libanesa, em plena intensificação das operações terrestres israelitas no sul do Líbano.

Na rede Truth Social, Trump afirmou que teve uma conversa "muito boa" com o Hezbollah através de intermediários, e que o grupo libanês "cessará completamente o fogo" contra Israel.

"Israel não os atacará e eles não atacarão Israel", declarou o líder norte-americano, que disse ter obtido também a garantia de Netanyahu de que as tropas israelitas não chegarão à capital do Líbano.

"Tive uma conversa muito produtiva com o primeiro-ministro israelita 'Bibi' Netanyahu e não haverá tropas a caminho de Beirute, e as tropas que estavam a caminho já estão a regressar", relatou.

Trump falou igualmente com a embaixadora do Líbano nos Estados Unidos e representante de Beirute nas negociações de paz com Israel, Nada Maawad, informando-a de que o chefe do Governo israelita tinha dado a sua aprovação ao acordo, acrescentou a representação libanesa em Washington, indicando que a próxima ronda de conversações, agendada para terça e quarta-feira, decorrerá como planeado.

Antes do pronunciamento de Netanyahu a dar conta da conversa com Trump, a oposição israelita e membros do Governo tinham criticado o primeiro-ministro por suspender os ataques em Beirute por indicação do líder da Casa Branca.

"Um governo que perdeu o controlo sobre a soberania israelita. Caos em todos os cantos", comentou na rede X Naftali Bennett, líder do Yachad (Juntos), a coligação de centro-direita que está à frente nas sondagens nas próximas eleições.

Yair Lapid, líder da oposição no atual parlamento e que integrou o seu partido, Yesh Atid (Há um Futuro), na coligação liderada por Bennett, também atacou o primeiro-ministro nas redes sociais, afirmando que Israel se tornou num "total protetorado".

"Há soldados feridos e mortos, e o primeiro-ministro israelita está à espera da aprovação de Trump para bombardear Dahieh", criticou pelo seu Avigdor Liberman, líder do partido secular de extrema-direita Yisrael Beitenu (Israel Nossa Casa), numa mensagem vídeo em que descreve a situação como "inaceitável".

Da coligação de Netanyahu, o ministro da Segurança Nacional, o ultranacionalista radical Itamar Ben Gvir, dirigiu-se ao chefe do executivo a recomendar que "agora é o momento de dizer 'não'" a Donald Trump.

A escalada militar no Líbano levou o Irão a suspender as conversações de paz com Washington sobre o conflito iniciado por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro contra a República Islâmica.

No domingo, Israel capturou a fortaleza de Beaufort, uma posição estratégica no sul do Líbano, a norte do rio Litani, anterior linha de demarcação dos militares israelitas, que na semana passada receberam ordens para atuar até ao rio Zahrani, a cerca de 40 quilómetros da fronteira entre os dois países.

No último mês, Hezbollah e Israel têm continuado os ataques aéreos e confrontos terrestres no sul do Líbano, apesar do cessar-fogo em vigor desde 17 de abril.

A trégua foi acordada entre Israel o Governo libanês em Washington, mas não era reconhecida pelo grupo xiita apoiado pelo Irão, tal como as negociações de paz israelo-libanesas em curso, com o patrocínio dos Estados Unidos.

O Irão justificou hoje a suspensão do diálogo com os Estados Unidos com violações "em todas as frentes" do cessar-fogo acordado com Washington no início de abril, incluindo o Líbano.

O Líbano foi arrastado pelas milícias xiitas libanesas para a nova guerra na região ao reatarem, no início de março, ataques aéreos contra o território israelita.

Israel respondeu com bombardeamentos intensivos e expandiu as posições militares que já mantinha no sul do país vizinho durante o conflito anterior.

Desde 02 de março, pelo menos 3.433 pessoas morreram e 10.395 ficaram feridas, segundo a última atualização do Ministério da Saúde libanês, em resultado dos ataques israelitas, que provocaram também acima de um milhão de deslocados.

As partes tinham estado em confronto no seguimento da guerra de Faixa de Gaza, entre outubro de 2023 e novembro de 2024, data de um cessar-fogo nunca verdadeiramente respeitado e que foi interrompido com o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irão.