Palavras podem ter impacto no desenvolvimento da criança. Saiba como as abordar
Ordem dos Psicólogo reforça importância de comunicação mais empática
Foi no âmbito do Dia Mundial da Criança que a Ordem dos Psicólogos lançou uma nova campanha, denominada ‘Escolhe Palavras que Cuidem’, uma forma de sensibilizar para o impacto que as palavras podem ter no desenvolvimento de uma criança ou jovem.
A mensagem dirige-se não só aos pais, mas também aos cuidadores e a todos os adultos, pois frases que aparentemente possam parecer inofensivas, podem “deixar marcas profundas na auto-estima, na confiança e na forma como as crianças aprendem a olhar para si próprias”.
Há expressões que são frequentemente utilizadas no dia-a-dia e que podem ter esse impacto. A Ordem dos Psicólogos dá como exemplo as seguintes frases: “Mas tu não pensas?!”, “Isso não dói nada!”, “Não tens razões para estar triste”, “Isso já passa”, “Já estragaste tudo.” e “Assim não vais a lado nenhum”.
Para dar voz a esta causa, foi criado um vídeo em que as crianças expressam os seus sentimentos. “As palavras dos adultos ajudam a crescer, mas também podem deixar marcas”, constatam.
“Tu esqueces o que disseste, mas as tuas palavras ficam dentro de mim e eu acredito nelas. Antes de falares comigo, lembra-te: eu ainda estou a aprender a gostar de mim. Escolhe palavras que cuidam”, apelam as crianças.
O objectivo da Ordem dos Psicólogos é o de reforçar a importância de uma comunicação mais empática, consciente e respeitadora das emoções das crianças, promovendo relações que contribuam para o seu bem-estar psicológico e desenvolvimento saudável.
Por isso, deixa alguns dicas sobre as frases mais empáticas, que podemos utilizar [ver quadro].
- “Tenho orgulho de quem és, não apenas do que fazes”
- “Adoro-te!”
- “Não tens de esconder de mim o que é difícil para ti”
- “Não tens de ganhar ou merecer o meu amor”
- “Eu acredito em ti”
- “Podes sempre falar comigo sobre o que te preocupa”
- “Aconteça o que acontecer, podes sempre contar comigo”
- “O que sentes é importante”
- “Não tens de conseguir à primeira”
- “Errar faz parte de aprender”
- “A tua opinião interessa-me”
- “Podes pedir ajuda sempre que precisares”
- “Vamos resolver juntos/as”
- “Mesmo quando estou zangado/a continuo a gostar de ti”
- “Vou ouvir-te com atenção”
UNICEF alerta para o papel do brincar
Quem também lançou uma campanha durante o dia de hoje foi a UNICEF. Chama-se ‘"Brincar nunca é só brincar’ e pretende ser uma forma de destacar o papel dessa actividade no desenvolvimento infantil, bem como na criação de vínculos afetivos seguros entre crianças, pais e cuidadores nos primeiros anos de vida.
"A campanha pretende alertar para o papel essencial de brincar no desenvolvimento infantil, reforçando a importância das interações quotidianas entre crianças e adultos, enquanto base para a aprendizagem, o desenvolvimento emocional e a construção de vínculos seguros", explica, citada pela agência Lusa.
A organização sublinha que nos primeiros anos de vida, sobretudo entre os 0 e os 6 anos, o cérebro das crianças desenvolve-se mais rapidamente do que em qualquer outra fase. "É através da relação com quem cuida delas e das experiências partilhadas no quotidiano, que as crianças aprendem a comunicar, a relacionar-se, a resolver problemas, a lidar com emoções e a descobrir o mundo à sua volta", salienta.
Com esta campanha, a UNICEF Portugal pretende "reforçar a mensagem de proximidade e descomplicação aos pais e cuidadores: brincar não exige brinquedos caros, atividades complexas ou longos períodos de tempo".
Realça ainda que "pequenos momentos de atenção, presença e interação têm um impacto significativo no desenvolvimento infantil".
"Brincar é muito mais do que entretenimento. Quando uma criança brinca com os pais ou outros cuidadores, está a desenvolver competências essenciais para a vida e a fortalecer relações fundamentais para o seu desenvolvimento e bem-estar, sustenta a organização.
A UNICEF defende ainda ser fundamental garantir que existe espaço no quotidiano de todos para promover este momento de encontro, com "brincadeiras simples, que permitam a atenção e a interação".
"Não é preciso planear programas altamente elaborados, em locais especiais: o que importa é o encontro diário, simples, próximo, seguro", afirma a diretora de Políticas de Infância e Juventude da UNICEF Portugal, Francisca Magano, citada no comunicado.
Ao longo da campanha, a UNICEF Portugal irá partilhar conteúdos informativos e orientações práticas sobre a importância do brincar nos primeiros anos de vida e sobre formas simples de integrar momentos de brincadeira na rotina diária das famílias.