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Pelo menos quatro moçambicanos mortos em confrontos na África do Sul

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Pelo menos quatro moçambicanos morreram e vários outros ficaram feridos durante confrontos com cidadãos sul-africanos em Mossel Bay, na província do Cabo Ocidental, na África do Sul, segundo um líder da comunidade moçambicana citado hoje pela comunicação social.

"Usaram instrumentos, catanas, os outros foram esfaqueados e os outros também foram batidos pelas pedras. É assim que os nossos irmãos moçambicanos perderam a vida no bairro de Mossel Bay", disse Manuel Chicanhane, líder da comunidade moçambicana no Cabo Ocidental, citado pela Rádio Moçambique.

Segundo o responsável comunitário, os confrontos envolveram cidadãos moçambicanos e sul-africanos residentes naquela localidade, num contexto de tensão contra estrangeiros, tendo resultado igualmente em vários feridos, alguns dos quais permanecem hospitalizados.

"Alguns moçambicanos estão hospitalizados, mas até hoje ainda não temos o número total dos moçambicanos que estão hospitalizados", afirmou Manuel Chicanhane.

De acordo com o líder comunitário, os incidentes começaram durante a noite de quinta-feira e culminaram com ataques a residências de moçambicanos e de outros estrangeiros, levando alguns moradores a reagirem para se defender.

"Quase acenderam todas as casas de moçambicanos naquele bairro. Os estrangeiros começaram a reagir para se defender também. Por isso aconteceram essas mortes", acrescentou.

A África do Sul tem registado manifestações e tensões sociais visando migrantes, sendo que, no início do mês, uma marcha contra a imigração culminou em ataques a negócios de estrangeiros na província do Cabo Oriental, no este do país.

As tensões xenófobas são um problema recorrente na África do Sul. Inúmeras comunidades de imigrantes foram repatriadas pelos próprios países, como Moçambique ou a Nigéria, e a África do Sul foi alvo de críticas internacionais por xenofobia.

Os relatos surgem depois de, em 05 de maio, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, garantir, na África do Sul, que não há registo de cidadãos nacionais mortos ou feridos em incidentes relacionados com xenofobia naquele país vizinho, criticando a circulação de informações falsas nas redes sociais.

Os incidentes mais graves dos últimos tempos ocorreram no final de 2019, com 18 estrangeiros mortos, segundo dados da organização Human Rights Watch.

Moçambique possui cerca de 300.000 cidadãos residentes na África do Sul, com a Presidência tendo avançado antes, em comunicado, que "milhares" já regressaram ao país face à violência.