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Madeira

Nuno Crato destaca evolução da educação na Madeira

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Foto ASPRESS

O ex-ministro da Educação, Nuno Crato, destacou a profunda transformação social e educativa da Madeira nas últimas décadas, sublinhando o papel central da escola no combate à pobreza e no desenvolvimento da região.

Recordando a sua primeira visita à ilha em 1976, descreveu um cenário de forte carência social, particularmente em Câmara de Lobos. “Fiquei impressionadíssimo. Casas sem portas, crianças descalças e semi despidas, pessoas com fome, famílias numerosas”, afirmou.

Em 2016, ao regressar à região, o contraste foi evidente. “Fiquei espantado com a alteração de Câmara de Lobos, mas não só naquele concelho como no resto da ilha. A pobreza tinha desaparecido, famílias com condições mínimas de vida, turismo, jovens alfabetizados”, referiu.

Para Nuno Crato, esta evolução está directamente ligada ao investimento na educação. “Os progressos foram imensos e começaram na escola”, sublinhou, lembrando que no passado muitas crianças abandonavam o ensino para trabalhar.

Defendeu que a mudança exigiu medidas estruturais como a construção de escolas, contratação de professores e garantia de alimentação escolar. “Era preciso dar a possibilidade dos jovens de comer nas escolas, para terem uma vida e aprendizagem digna”, afirmou.

O antigo governante destacou ainda a generalização do ensino pré-escolar na Madeira, que considera estar “à frente do continente”. Na sua visão, esta realidade permite que as crianças iniciem mais cedo a aprendizagem, sem terem de esperar pelos seis ou oito anos.

Referiu também a implementação da escola a tempo inteiro e a erradicação do analfabetismo, sublinhando que a região desenvolveu um sistema educativo mais estruturado e acompanhado.

Outro dos pontos salientados foi o sistema informatizado de gestão escolar. “Saber se os alunos desistem ou mudam de escola. Isto não existe no continente mas existe na Madeira”, disse, acrescentando que a região tem ainda uma forte aposta na disponibilização de manuais e recursos educativos.

Sobre os manuais escolares, explicou que representam “uma tradução organizada do currículo”, essencial para orientar professores, alunos e famílias. “A capacidade de acesso ao manual é uma forma organizada de estudar”, referiu.

O ex-ministro alertou, no entanto, para a necessidade de ir além da memorização. “A formação dos nossos jovens deve torná-los conhecedores da estrutura do nosso mundo e não apenas capazes de debitar informação nos testes”, afirmou.

Entre os principais desafios para o futuro, destacou três pontos: a manutenção da exigência no conhecimento, a formação de professores e a adaptação ao impacto da inteligência artificial.

“Está tudo na internet, na IA, no Google. É necessário saber factos para procurar factos. Como posso fazer boas perguntas se não sei nada sobre o assunto?”, questionou.

Defendeu ainda que a qualidade do ensino depende fortemente da formação docente. “Ninguém consegue ensinar bem se não tem conhecimento”, afirmou, sublinhando que é essencial valorizar professores qualificados.

Por fim, apelou ao equilíbrio entre inovação e rigor. “Diferenciar sem perder o norte é o que a Madeira tem feito”, concluiu.