Seguro defende importância da leitura como ferramenta contra os algoritmos
O Presidente da República defendeu hoje a importância da leitura como um dos pilares de uma sociedade democrática e informada e uma ferramenta contra a "obediência a algoritmos".
António José Seguro falava na sessão de inauguração da 96.ª edição da Feira do Livro de Lisboa, no Parque Eduardo VII.
A seguir, o chefe de Estado fez uma doação de livros e, em conversa com o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, combinou regressar no dia 12 de junho, antes do desfile das marchas populares, para visitar a feira com tempo.
"Vai ser fantástico ter o senhor Presidente pela primeira vez nas marchas", comentou Carlos Moedas.
No seu primeiro discurso numa inauguração da Feira do Livro de Lisboa, António José Seguro considerou que, "ao observar a extensão da feira, a sua dimensão, bem como o previsto crescimento para este ano, que confirmou a tendência dos anos anteriores", há "razões para algum otimismo".
O Presidente da República quis deixar para outra altura uma reflexão, no seu entender "bem necessária", sobre "como aumentar o número de leitores e de bons leitores, ou como fomentar hábitos de leitura a partir da escola ou das pequenas bibliotecas de família".
"As inquietações sobre a oscilação dos números da literacia, sobre o impacto da Inteligência Artificial (IA), sobre a mil vezes anunciada crise da leitura, merecem uma discussão muito séria, com números e factos reais, e com o envolvimento de todos nós", declarou.
Depois, António José Seguro defendeu que a leitura "é um dos pilares de uma sociedade democrática, informada, preparada para os desafios do tempo" e uma ferramenta contra a "obediência a algoritmos" e a velocidade das novas tecnologias.
"Uma comunidade que não valoriza a leitura, a partilha de histórias e de conhecimento, é uma sociedade que se empobrece a si própria. Que escolhe empobrecer, que escolhe substituir o debate de ideias pela obediência a algoritmos, que escolhe a velocidade contra a ponderação e a experiência humana, que escolhe a aceitação contra a liberdade", sustentou.
Na sua intervenção, António José Seguro referiu-se aos livros como "uma das mais perfeitas invenções da humanidade" e manifestou o desejo de que a sua forma atual, "acompanhada do cheiro do papel e da tinta", não desapareça.
"Colocaria em risco a minha coleção de lápis, com que sublinho os livros. Colocaria em risco a ideia de que os livros renascem das cinzas quando alguém quer queimá-los -- e não simplesmente apagá-los. Colocaria em risco parte essencial e amável da nossa humanidade, ou da forma como somos e aprendemos a ser humanos", disse.
O Presidente da República acrescentou que "a história do livro é a história de uma resistência permanente contra o esquecimento e contra a ideia de uma sociedade sem histórias" e que a Feira do Livro de Lisboa "é uma prova dessa resistência".
"É por isso que aqui estamos. É também por isso que nos voltaremos a encontrar em setembro, em Belém, na Festa do Livro", concluiu.