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Madeira

Gases renováveis reforçam autonomia energética da Madeira

Nuno Maciel defende biometano e aposta na valorização de resíduos

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Foto DR

Os gases renováveis podem reforçar a autonomia energética da Madeira e a estabilidade do sistema eléctrico regional, afirmou esta terça-feira o secretário regional da Agricultura e Pescas, Nuno Maciel.

Na conferência “A Importância dos Gases Renováveis na Transição Energética – O Gás como Motor de Desenvolvimento Regional”, no Funchal, o governante sublinhou que a Região enfrenta desafios específicos associados à insularidade, à dependência externa e aos custos de abastecimento energético, defendendo que a autonomia energética deve ser uma prioridade estratégica.

Nuno Maciel referiu que a transição energética ocorre num contexto de alterações climáticas, instabilidade dos mercados e necessidade de redução da dependência dos combustíveis fósseis, o que obriga a repensar os modelos de produção e consumo de energia.

Nesse enquadramento, destacou que os sistemas insulares, como o da Madeira, lidam com uma limitação estrutural: a variabilidade das fontes renováveis, como a solar e a eólica, que nem sempre garantem produção constante. Por isso, defendeu soluções complementares que assegurem maior flexibilidade e estabilidade da rede.

O governante apontou os gases renováveis, em particular o biometano, como uma solução com potencial para complementar outras fontes energéticas e contribuir para um sistema mais equilibrado e resiliente.

Outro eixo central da intervenção foi a valorização de resíduos agrícolas, pecuários, urbanos e orgânicos, que, segundo referiu, devem ser encarados como recursos e não apenas como um problema ambiental. Através da produção de biogás, é possível reduzir o envio de resíduos para aterro, diminuir emissões e gerar energia localmente, numa lógica de economia circular.

Nuno Maciel destacou ainda o trabalho desenvolvido na Região pela ARM – Águas e Resíduos da Madeira, nomeadamente na Estação de Tratamento da Meia Serra, sublinhando o contributo desta infra-estrutura para a valorização energética de resíduos e para uma abordagem mais integrada entre ambiente e energia.

O secretário regional reconheceu que ainda há um caminho significativo a percorrer, nomeadamente ao nível do planeamento, investimento e criação de infra-estruturas adequadas, bem como na utilização eficiente dos instrumentos de financiamento disponíveis.

Ainda assim, defendeu que a transição energética deve ser encarada não apenas como uma obrigação ambiental, mas também como uma oportunidade económica, com impacto na criação de emprego qualificado, na dinamização do meio rural e no desenvolvimento da economia verde.

Sublinhou também a importância de soluções adaptadas à realidade insular, defendendo modelos mais flexíveis e descentralizados, que tenham em conta as especificidades do território madeirense.

“Mais do que acompanhar tendências, a Madeira deve posicionar-se de forma activa neste processo”, afirmou, concluindo que os gases renováveis podem desempenhar um papel relevante no reforço da sustentabilidade, da segurança energética e da autonomia da Região.