Gases renováveis são “complemento da electricidade”
Sonorgas destaca potencial da Madeira e defende soluções adaptadas a sistemas insulares
Os gases renováveis representam um complemento à electricidade e podem desempenhar um papel relevante na descarbonização e na economia circular, sublinhando o potencial da Madeira neste domínio, afirmou esta terça-feira a presidente do conselho de administração da Sonorgas, Maria Conceição Callé Lucas.
À margem da conferência ‘A Importância dos Gases Renováveis na Transição Energética – O Gás como Motor de Desenvolvimento Regional’, no Museu de Electricidade – Casa da Luz, no Funchal, a responsável destacou que este tipo de energia resulta da valorização de resíduos, permitindo produzir biogás e, posteriormente, bio metano, no âmbito de uma lógica de economia circular.
Sublinhou que os gases renováveis são particularmente relevantes em territórios com características específicas, defendendo que não existe uma solução única para todos os contextos energéticos.
“Não se trata de uma solução one size fits all”, afirmou, defendendo a adaptação dos sistemas energéticos à realidade de cada região.
A responsável explicou que a Sonorgas opera há mais de duas décadas em soluções de distribuição de gás em ambiente regulado, com actividade em 34 municípios do interior norte do continente, sobretudo em territórios de baixa densidade populacional.
A empresa dispõe de cerca de 900 quilómetros de rede, 40 unidades autónomas de gás e cerca de 30 mil pontos de abastecimento, servindo milhares de consumidores em zonas dispersas.
Maria Conceição Callé Lucas destacou ainda que a actividade se baseia em modelos logísticos próprios, com distribuição através de unidades autónomas, garantindo o abastecimento em regiões afastadas dos grandes centros urbanos.
Esse modelo, referiu, permite assegurar coesão territorial, eficiência económica e continuidade de abastecimento, com especial enfoque em territórios de baixa densidade.
Sobre a Madeira, afirmou que a Região ainda não utiliza gases renováveis, mas sublinhou o seu potencial, defendendo que qualquer território pode vir a integrar este tipo de soluções, desde que existam condições técnicas e infra-estruturas adequadas.
Defendeu que os gases renováveis são um complemento à electricidade e podem também substituir, em certos casos, o gás de garrafa, reforçando a segurança e a diversidade do abastecimento energético.
A responsável apontou ainda que o custo final do gás depende de toda a cadeia de valor — produção, transporte, distribuição e fiscalidade —, sendo variável consoante o contexto.
Maria Conceição Callé Lucas considerou que a produção local na Madeira seria possível mediante condições de valorização de resíduos, licenciamento de unidades de produção e capacidade de ligação às redes de distribuição.
Na intervenção na sessão de abertura da conferência, a responsável reforçou a necessidade de soluções ajustadas ao contexto local, defendendo uma transição energética gradual e pragmática.
“Não se trata de uma solução única, mas de uma resposta adaptada ao território”, afirmou, sublinhando que a descarbonização das redes deve ser feita com equilíbrio entre sustentabilidade e segurança energética.