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As contas e a vida

Os dados confirmam o que os madeirenses sentem na carteira: há 31 meses que a inflação na Madeira é a mais alta do país. Tem permanecido cerca de 1 ponto percentual acima da inflação nacional. A disparidade salarial face ao continente também permanece: as remunerações na região são mais baixas e cresceram menos do que no resto do país (3,3% face a 5% nacional) apesar da inflação mais alta – e não há festa nem festança que apague essa constança.

Os impostos sobre o consumo apresentam outro lado da equação, com os valores das taxas aumentadas aquando do PAEF. Veja-se o espetacular crescimento das receitas de IVA de 144%, que compara com um crescimento do PIB regional no mesmo período de “apenas” 46%. Ou seja, desde 2012, o IVA cresceu mais do que o triplo da economia real.

Nestes 31 meses de inflação mais alta na Madeira, a receita de IVA gerou um ganho adicional de 313 milhões de euros para os cofres públicos. Não admira que seja, de longe, a maior receita — um verdadeiro “abono”, pago por todos nós em cada recibo de compra.

O Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP) segue uma trajetória semelhante, com uma forte aceleração: aumentou 42,5% em 2025 e disparou outros 45,9% no primeiro trimestre de 2026. Em plena crise dos combustíveis, a variação da redução do ISP na região foi menor do que a redução nacional, mesmo tendo margem legal e orçamental para ir mais longe. Na prática, os preços subiram e baixaram mais ou menos ao ritmo do resto do país, orientados a um diferencial (muitas vezes não alcançado) de 10 cêntimos. Ora, importa recordar que no continente há postos de marca branca, que oferecem descontos bem superiores a esse valor, sendo que aqui não podemos ir lá atestar o carro (nem a Espanha).

Em Economia sabe-se que a inflação aumenta as receitas com os impostos de consumo, reduz o peso da dívida e aumenta o PIB. Isso cria a oportunidade para dar resposta às “contas de vida” dos madeirenses, reduzindo diretamente os impostos que encarecem as nossas compras (e sim, os estudos dos bancos centrais, Comissão Europeia e universidades demonstram que a redução de IVA nos bens alimentares e na energia passa para os consumidores). Pelo que, na Assembleia Legislativa Regional, essa resposta não pode ser desviada pelo contínuo recurso ao ruído e à obstrução (tática antiga do PPD). É imperativo que no parlamento regional se recupere o foco no essencial e a seriedade institucional (veja-se a calma e solenidade dos trabalhos da Assembleia Legislativa dos Açores).

O futuro da Região exige o cumprimento de um contrato adulto entre eleitores e eleitos. O trabalho do PS continua focado na construção de uma nova economia para uma nova autonomia, com ambição e competição: na energia, na mobilidade, agindo também no custo de vida, na agricultura, na habitação e na saúde. Ações práticas e necessárias que, muito provavelmente, o PPD-Madeira usurpará, cumprindo o seu guião habitual: primeiro rejeita com soberba, depois aplica com espetacularidade atabalhoada (veja-se a regulação dos trilhos, a taxa turística, a regulação do AL, das rent-a-car, etc).

Há quem diga que o PS tem estado “a fazer pela vida” e sobe nas sondagens. É verdade, temos estado concentrados em fazer pela vida das pessoas. Um novo ciclo, que surge como alternativa responsável. Sem “pirataria política”, nem recorrendo ao populismo do antigamente. Focados sinceramente em melhorar as contas e a vida dos madeirenses.