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Madeira

Clube de Ecologia Barbusano percorreu Paul da Serra e registou 'invasão' no Fanal

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O Clube de Ecologia Barbusano, da Escola Secundária de Francisco Franco, realizou recentemente uma saída de campo ao Paul da Serra, onde o 'olhar' atento dos presentes detectou algumas coisas que escapam à vista, entre as quais a invasão ao Fanal, diariamente, mesmo em dias de mau tempo, assoberbada de turistas.  

"O Paul da Serra, o maior planalto da Madeira, constitui uma área muito importante que exige proteção", começa por frisar o habitual 'relatório'. "Corresponde a uma zona onde se verifica uma assinalável recarga de aquíferos e onde ocorre o chamado urzal de altitude, com espécies indígenas e endémicas. Pelo facto de nesta zona circularem muitos automóveis, recomenda-se que as autoridades prestem atenção aos limites de velocidade – uma observação atenta detecta várias borboletas atropeladas. Convém recordar que uma das borboletas endémicas da Madeira foi considerada extinta, a Grande Branca da Madeira, pelo que o bom senso recomenda a adoção de medidas para a preservação da biodiversidade", alerta.

Como "o estado do tempo não estava favorável para caminhadas – chuviscou durante todo o percurso e o nevoeiro denso não permitiu que se desfrutasse das espetaculares vistas ao longo do trajeto", ainda assim, "foi importante estar no planalto nestas condições, para se conhecer as condições atmosféricas agrestes deste local e reconhecer a importância do cumprimento das regras de segurança, para evitar acidentes", adverte.

Continuando a serpentear "o topo aplanado do interflúvio entre o vale da ribeira da Janela e o da ribeira do Seixal atravessamos a chamada Laurissilva do Urzal, onde dominam as urzes e as uveiras da serra. Para além destas, observam-se também espécies arbóreas, como loureiros, folhados, perados e faias, mas de altura inferior às da Laurissilva do Til, em virtude das condições climatéricas mais agrestes. Aqui, os ventos dominantes são de Nordeste e a altitude é superior a 1000 metros.  Muito interessante, foi também observar um conjunto de endemismos: ensaiões (Aichryson divaricatum), erva-de-coelho, ranúnculos, estreleiras, as nativas orquídeas da espécie Neotinea maculata e nas clareiras, o alecrim da serra (Thymus nicans)", regista quem percebe do assunto.

Infelizmente, a nota negativa. "O final do trajeto foi feito de autocarro, em virtude das condições meteorológicas. No Fanal, deslocamo-nos até a sua linda lagoa, mas por causa do denso nevoeiro não nos foi possível desfrutar da bela paisagem", mas "apesar do estado do tempo não estar convidativo para passeios, verificamos que o parque de estacionamento apresentava um grande número de veículos o mesmo ocorrendo na berma da estrada. É muito importante que se reflita relativamente à grande pressão humana que está a ocorrer sobre as áreas naturais e que se defina uma visitação diária que não ponha em causa o seu equilíbrio", conclui.