Turismo em excesso ameaça equilíbrio nas serras da Madeira

O sucesso turístico das serras da Madeira começa a transformar-se num problema difícil de ignorar. As imagens de centenas de pessoas concentradas logo pela manhã no percurso entre o Pico do Areeiro e o Pico Ruivo mostram até que ponto alguns trilhos estão a atingir níveis de pressão incompatíveis com a segurança, a preservação ambiental e a própria experiência de quem visita a Região.

O episódio registado na Pedra Rija, com turistas a saltarem o portão antes da abertura autorizada, revela também um crescente desrespeito pelas regras impostas pelas autoridades. O IFCN lembra, e bem, que as barreiras podem existir por razões de segurança e que nenhum visitante deve ultrapassar acessos encerrados, mesmo que considere o atraso “mínimo”. Ainda assim, a verdade é que a afluência massiva está a tornar cada vez mais difícil o controlo efectivo destes percursos.

Os números ajudam a perceber a dimensão do problema. Já foram instaurados cerca de 170 autos por acessos ilegais a trilhos encerrados, sendo cerca de uma centena relativos apenas ao PR1. Há também danos em infra-estruturas e pressão crescente sobre áreas ambientalmente sensíveis.

A Madeira promoveu durante anos a imagem das suas levadas e montanhas como ex-líbris turísticos. O desafio agora passa por encontrar um equilíbrio entre promoção, conservação e capacidade de carga, antes que o excesso de visitantes transforme um património natural único num espaço descaracterizado e permanentemente congestionado.

Manuel Ferreira