Nova onda de falsas ameaças de bomba afecta pelo menos 25 voos na Europa
Uma nova onda de falsas ameaças de bomba afetou hoje pelo menos 25 voos entre países europeus, incluindo provenientes de Portugal, o que levou a Comissão Europeia a ativar o mecanismo de partilha de informações entre Estados-membros.
Vários países de destino ou origem de voos de diferentes companhias aéreas europeias foram afetados esta semana por estes incidentes, entre eles Espanha, França, Bélgica, Áustria, Polónia, Dinamarca, Irlanda, Grécia, Finlândia, Sérvia e a Roménia, sendo a Itália, a República Checa e a Bulgária os mais afetados.
Um dos voos afetados hoje fazia a ligação entre a cidade do Porto e Milão, também afetado devido a uma falsa ameaça de bomba, segundo a agência de notícias italiana ANSA.
Na terça-feira, foram igualmente reportadas situações similares e nesse dia um dos voos afetados fazia a ligação Lisboa-Roma.
Uma célula extremista russa enviou um email para os aeroportos italianos com ameaças de bomba contra seis voos, avançou hoje a agência Ansa.
"A explosão ocorrerá dentro de 60 minutos. Hoje, o vosso céu ficará vermelho", indicava o email recebido nos aeroportos italianos e assinado pelos combatentes do "Male State" (Estado Masculino, em português).
A célula remete para o Muzhskoye Gosudarstvo, um movimento russo ultranacionalista e misógino - já conhecido das autoridades internacionais - fundado por Vladislav Pozdnyakov e proibido na Rússia.
"Nós, os combatentes do 'Estado Masculino', deixaremos a nossa marca na história com as nossas ações de hoje. O vosso regime feminista vai lembrar-se disto para sempre", referiu o email citado pela Ansa.
Apesar das dezenas de voos afetados, a Agência Europeia para a Segurança da Aviação (AESA) afirmou hoje que estes alertas de bomba representam uma ameaça baixa para a segurança do tráfego aéreo.
Segundo afirmou uma porta-voz da AESA, "a ameaça imediata à segurança que estes falsos alertas individuais representam é baixa", mas "o elevado número de desvios implica uma carga adicional" para o transporte aéreo.
"Os desvios provocados por estas ameaças de bomba perturbam um sistema concebido para a previsibilidade e a eficiência e representam um aumento da carga de trabalho para os pilotos, os controladores aéreos e os aeroportos", reconheceu a agência sediada em Colónia em declarações à agência de notícias espanhola EFE.
No entanto, salientou que os pilotos, os controladores aéreos e o pessoal de terra têm "formação para lidar com este tipo de situações inesperadas".
A AESA destacou que as causas subjacentes e as circunstâncias dos incidentes estão relacionadas principalmente com a segurança da aviação e não com a segurança operacional, pelo que ficam fora do âmbito das suas competências regulatórias.
Recordou que a responsabilidade de avaliar as ameaças à segurança, responder a ameaças de bomba e aplicar as medidas adequadas de segurança da aviação recai sobre as autoridades nacionais competentes, em colaboração com os operadores aeroportuários, as companhias aéreas e as forças de segurança.
A entidade referiu, porém, que "continuará a acompanhar estes acontecimentos para identificar e avaliar qualquer possível repercussão na segurança operacional da aviação decorrente dessas ameaças à segurança".
Perante a onda de falsas ameaças de bomba registada hoje, incidentes que se somam aos já ocorridos na terça-feira, a Comissão Europeia anunciou a ativação do mecanismo de intercâmbio de informações em matéria de segurança da aviação entre os 27, embora tenha alertado que ainda é cedo para determinar se os acontecimentos estão relacionados entre si.