A Madeira também tem histórico de falsos alarmes de bomba em aviões?
Desde o início da semana que quase duas dezenas de voos comerciais na Europa foram afectados por ameaças de bomba
Esta quinta-feira, um avião comercial A320, que fazia a rota entre Dublin e Roma, foi desviado para a base aérea de Évreux, no noroeste de França, devido a uma ameaça de bomba, disseram as autoridades francesas. O Governo de Paris anunciou o sucedido, tendo estado a acompanhar a situação “em tempo real”.
Desde o início da semana que quase duas dezenas de voos comerciais na Europa foram afectados por ameaças de bomba que, segundo as autoridades dos países envolvidos, se revelaram falsas.
Ainda que estes casos estejam a acontecer com maior frequência nos últimos tempos, não são inéditos.
Mas será que situações semelhantes já aconteceram na Madeira?
Para esta verificação, ainda que não de forma exaustiva, procedemos a uma consulta ao arquivo do DIÁRIO e a notícias publicadas ao longo das últimas décadas envolvendo aeronaves nos aeroportos da Região.
Uma das primeiras referências que encontramos data de 1989. Na notícia publicada na edição do DIÁRIO de 23 de Junho daquele ano, damos conta de que a aeronave partiu da capital portuguesa às 20h05 e, quando seguia praticamente a meio do percurso, os serviços do Aeroporto da Portela receberam uma chamada telefónica de uma mulher, que avisava que o avião transportava uma bomba a bordo.
Os meios foram rapidamente accionados: a tripulação foi avisada e, no Funchal, a Polícia de Segurança Pública (PSP) recebeu o alerta, deslocando-se ao Aeroporto de Santa Catarina com uma brigada de minas e armadilhas.
Pelas 21h30, a aeronave aterrou em solo madeirense. Os passageiros desembarcaram sem qualquer alvoroço, uma vez que não se tinham apercebido da situação. Depois de concluída a inspecção, o Intendente Nuno Homem da Costa afirmou não ter dúvidas de que se tratara de uma “brincadeira de mau gosto”, uma vez que a busca ao avião comprovara a inexistência de qualquer engenho explosivo.
A 14 de Setembro de 2002, um avião da TAP com destino a Caracas foi obrigado a abortar a descolagem no Aeroporto Internacional da Madeira devido a uma ameaça de bomba, confirmou à Agência Lusa uma fonte da infraestrutura aeroportuária.
O TP1437, um Airbus A310/300, que assegurava a ligação Funchal/Caracas, transportava 194 passageiros e 10 tripulantes. A aeronave teve de regressar à placa depois de um telefonema anónimo, efectuado directamente para o balcão da TAP, ter alertado para a alegada existência de uma bomba a bordo.
Os passageiros e tripulantes desembarcaram e as bagagens foram submetidas a uma revista através de equipamento de raio X. O avião foi igualmente inspeccionado pela Brigada de Minas e Armadilhas da PSP, que nada de anormal encontrou. O voo acabou por partir com cerca de três horas de atraso.
Em 2018, houve outro caso, desta vez envolvendo a companhia aérea Binter e um voo que fazia a ligação entre os aeroportos do Porto Santo e da Madeira. Chegou a ser notícia em órgãos de comunicação social estrangeiros.
A nota divulgada pelo Comando Regional da Madeira informa que, após a ameaça, registada pelas 18h00 de 16 de Setembro, quando a aeronave se preparava para voar para a Madeira, a PSP “procedeu à identificação da sua autoria, tendo efectuado as correspondentes diligências necessárias à reposição da normalidade nas operações de voo daquele espaço”.
A acção desencadeada pela esquadra do Porto Santo, pertencente à Divisão de Machico, “possibilitou a intercepção e identificação de um cidadão do sexo masculino, com a idade de 39 anos, natural e residente no Funchal”.
O voo da Binter, previsto para as 18h30, acabou por partir com quase duas horas de atraso, cerca das 20h00, tendo o aeroporto daquela ilha “retomado a normalidade das suas operações”.
Mas há outros episódios. Muito antes, em Novembro de 2001, um cidadão paquistanês assustou os passageiros e a tripulação de um avião que deveria descolar do Aeroporto Internacional da Madeira.
Tal como relatou a notícia publicada na edição de 13 de Novembro de 2001, o cidadão em questão entregou à hospedeira uma carta que lhe era endereçada. A mulher terá estranhado aquela aproximação e alertou o comandante do avião.
Ainda na sequência do atentado terrorista de 11 de Setembro, nos Estados Unidos, esta atitude pouco habitual foi levada a sério e o comandante recusou-se a seguir viagem, até porque, logo após ter entregue o sobrescrito, o telemóvel do passageiro tocou.
Carta suspeita levou a evacuar avião na Madeira há 22 anos
Consulte connosco a edição de 13 de Novembro de 2001 neste ‘Canal Memória’
Os passageiros do voo da Transavia foram obrigados a abandonar a aeronave, tendo sido retirada a bagagem do cidadão em causa. O avião só partiu da Madeira com cerca de duas horas e meia de atraso, depois de o passageiro ter sido retirado do seu interior pela PSP.
Já em 2023, noticiávamos que um passageiro madeirense tinha sido detido no Aeroporto da Madeira quando tentava embarcar num voo transportando quatro munições e seis bombas de arremesso na bagagem de mão. A notícia, avançada pelo Correio da Manhã, dava conta de que os objectos proibidos tinham sido detectados através do equipamento de raio X.
Passageiro detido no Aeroporto da Madeira com munições e bombas de arremesso na mala
Um passageiro madeirense foi detido, hoje, no Aeroporto da Madeira, quando tentava embarcar num voo com quatro munições e seis bombas de arremesso na mala de mão. A notícia foi avançada pelo Correio da Manhã, que adianta que os objectos proibidos foram detectados pelo equipamento de raios-x.
Os episódios agora recuperados mostram que as ameaças e os alertas de segurança envolvendo aeronaves não são uma realidade estranha à Madeira. Ao longo de várias décadas, chamadas telefónicas anónimas, comportamentos suspeitos a bordo e a detecção de material perigoso obrigaram à intervenção das autoridades e, em alguns casos, condicionaram as operações aeroportuárias.