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Guerra no Irão Mundo

Líderes dos democratas no Congresso dizem que guerra no Irão "tem de acabar"

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Foto Arquivo

Os líderes dos democratas no Congresso, Hakeem Jeffries e Chuck Schumer, apelaram hoje ao fim da guerra no Irão, responsabilizando o Presidente norte-americano por nunca ter esclarecido a razão do envolvimento de Washington no conflito.

"O povo norte-americano não sabe porque estamos a lutar no Irão. Ele, Donald Trump, nunca esclareceu a situação. Muda de ideias dia após dia, ou até de um minuto para o outro. Esta guerra precisa de chegar ao fim", afirmou Schumer, um dia depois da derrota expressiva dos republicanos nas eleições intercalares.

Os eleitores norte-americanos estabeleceram "uma ligação entre a situação no Irão e a sua própria situação financeira, relacionando-a diretamente com a crise do poder de compra" que se vive nos Estados Unidos, observou Todd Belt, professor na Universidade George Washington, citado pela agência noticiosa France-Presse (AFP).

Resta saber se Trump vai "ter isso em conta e tentar resolver esta questão o mais rapidamente possível ou se, pelo contrário, vai envolver-se a fundo", afirmou.

Nos últimos dias, vários órgãos de comunicação social noticiaram a possibilidade de uma campanha militar curta e intensa na sequência das eleições, por iniciativa, nomeadamente, do primeiro-ministro israelita cessante, Benjamin Netanyahu, cujo campo político saiu vitorioso das eleições legislativas em Israel, embora sem conseguir uma maioria.

O próprio Presidente norte-americano afirmou, durante o fim de semana, estar disposto a desferir um "golpe devastador" contra o Irão, tendo uma ilha sido bombardeada pelos Estados Unidos na noite de segunda para terça-feira, véspera das intercalares norte-americanas.

No entanto, uma nova escalada de grandes proporções arriscaria desencadear represálias devastadoras por parte do Irão, novos choques para a economia mundial e, potencialmente, uma revolta aberta no seio do seu próprio partido, alertam analistas citados pela AFP.

Na terça-feira, Donald Trump procurou moderar as especulações sobre uma retoma dos bombardeamentos.

"Parece que estamos a conseguir tudo o que queremos", afirmou ao Financial Times, numa aparente alusão às negociações com os iranianos.

O Presidente norte-americano reconheceu também, em declarações ao Wall Street Journal (WSJ), que a situação no Irão, mais concretamente a subida dos preços do petróleo e não tanto a própria guerra, contribuiu para os maus resultados dos republicanos nas eleições.

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, apontado como possível candidato à Casa Branca em 2028, considerou hoje que a "guerra foi a razão" para a passagem do controlo do Congresso para os democratas.

Para já, dado positivo, o barril de petróleo Brent caiu hoje para valores abaixo dos 100 dólares, depois da vitória expressiva dos democratas nas eleições legislativas norte-americanas, que, segundo analistas, poderá limitar a margem de manobra de Trump na guerra contra o Irão.

Pelas 16:50 GMT (a mesma em Lisboa), o preço do barril de Brent do Mar do Norte, para entrega em janeiro, recuava 8,98%, para 94,30 dólares, atingindo o valor mais baixo desde o início de setembro.

Quando tomar posse, em janeiro, "o novo Congresso poderá utilizar a sua influência sobre as despesas para contestar financiamentos militares adicionais e aumentar a pressão a favor de uma solução diplomática" com o Irão, considera Ipek Ozkardeskaya, da Swissquote Group Holding Ltd, grupo bancário suíço especializado na prestação de serviços financeiros 'online' em negociação, investimento e 'serviços bancários.

Com "negociações credíveis e perspetivas de maior segurança no transporte marítimo no estreito de Ormuz, os preços do petróleo poderão baixar de forma duradoura", acrescenta a analista.

O preço do petróleo não caía abaixo da barreira dos 100 dólares desde o início de outubro. O seu equivalente norte-americano, o barril de West Texas Intermediate (WTI), para entrega em dezembro, descia 7,93%, para 88,47 dólares.

O Brent perdeu cerca de 20% desde o fecho da sessão de sexta-feira, impulsionado pelo renovado otimismo em torno das negociações diplomáticas, após várias semanas de receios de uma escalada do conflito.