Tuberculose: mitos e verdades
Foram identificados, só neste ano de 2026, 13 casos de tuberculose na Região Autónoma da Madeira. A tuberculose continua a ser um dos maiores problemas mundiais de saúde pública, embora se trate de uma doença curável, cujo tratamento é acessível. Neste ‘Explicador’ conheça alguns mitos e verdades sobre a tuberculose.
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Desde 2020 foram diagnosticados aproximadamente 65 casos na Região
Carolina Rodrigues , 04 Novembro 2026 - 13:34
A tuberculose é causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, também conhecida como Bacilo de Koch. A infecção transmite-se de pessoa para pessoa por via aérea, ou seja, apenas são contagiosas as pessoas com tuberculose pulmonar ou laríngea. De cada vez que um destes doentes tosse, espirra ou fala, liberta pequenas gotículas que transportam o Bacilo de Koch.
É mito pensar que a tuberculose é uma doença do passado. Na realidade, continua a ser um dos maiores problemas mundiais de saúde pública. Ainda hoje morrem mais pessoas por tuberculose do que por qualquer outra doença infecciosa curável.
A Organização Mundial de Saúde declarou esta doença como emergência médica. Estima-se que surjam 9 milhões de novos casos por ano e que, destes, 1,8 milhões acaba por morrer. Números que surpreendem, tendo em conta que se trata de uma doença curável, cujo tratamento é acessível e barato.
Embora possa afectar qualquer pessoa, a tuberculose atinge sobretudo os mais vulneráveis, idosos e crianças, marginalizados e reclusos. Apesar da existência de tratamento, é frequente surgirem resistências, que estão a aumentar na Europa. Tem vindo a verificar-se uma redução gradual no sucesso terapêutico.
Ou seja, a tuberculose não é uma doença do antigamente. Ainda existe, mas tem tratamento eficaz. É errado pensar que a tuberculose infecção é o mesmo que a tuberculose doença. A tuberculose infecção não é doença, não tem sintomas nem é contagiosa, e o seu tratamento é preventivo. Já a tuberculose doença pode causar sintomas, pode ser contagiosa numa fase inicial, e tem tratamento eficaz e cura.
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Carolina Rodrigues , 04 Novembro 2026 - 12:54
Sintomas
Na grande maioria dos casos, a tuberculose manifesta-se no pulmão, uma vez que o contacto inicial do bacilo com o organismo é feito por via inalatória. Contudo, podem ser atingidos outros órgãos, como os gânglios, meninges, pericárdio, ossos, rins, pele ou intestinos. Estas formas de tuberculose não são, em regra, contagiosas.
A doença tem habitualmente uma apresentação clínica discreta, evoluindo sem que o paciente se aperceba ao longo de dias, semanas ou mesmo meses. As queixas mais comuns são o cansaço, a falta de apetite, a perda de peso, suores nocturnos, e febres baixas ao final do dia.
Podem existir outras manifestações em função dos órgãos envolvidos. No caso da tuberculose pulmonar a mais comum é a tosse, seca ou com expectoração, podendo conter sangue. Os sintomas são mais graves, mais difíceis de diagnosticar e de tratar nos doentes com menores defesas imunitárias.
Causas
A inalação de ar com bacilos que vão alcançar e depositar-se nos pulmões. A partir desse momento, ou as defesas do organismo conseguem eliminá-los e não ocorre doença ou as bactérias ultrapassam essas barreiras e a infecção instala-se.
Há ainda situações em que o bacilo não é eliminado, mas é mantido inactivo durante anos ou, mesmo, a vida toda. Estes indivíduos estão saudáveis e não são contagiosos, mas têm uma probabilidade de 10% de vir a ficar doentes em algum momento da sua vida, sendo esse risco maior nos dois anos a seguir à infecção. A isto se chama tuberculose latente.
As gotículas com o bacilo são invisíveis a olho nu e podem ficar em suspensão no ar durante várias horas, particularmente se o indivíduo estiver num local não ventilado. A probabilidade de ser infectado depende do número de gotículas infecciosas no ar, do tempo e local de exposição e da susceptibilidade da pessoa exposta a esse ambiente.
Sendo a tuberculose uma doença de transmissão inalatória, há que evitar contactos respiratórios próximos não protegidos com pessoas que têm tuberculose em fase contagiosa, sobretudo se não estiverem a tomar medicação. Habitualmente, se o doente tomar a medicação conforme a prescrição do médico, ao fim dos primeiros 15 dias começa a reduzir o risco de contágio.
Se não for possível evitar o contacto com doentes em fase contagiosa, este contacto deve ser feito em locais arejados e expostos à luz solar, uma vez que o bacilo é muito sensível aos raios ultravioleta. Em locais não ventilados é obrigatória a utilização da máscara.
Diagnóstico
Existem dois tipos de testes de triagem para a tuberculose, concretamente o teste cutâneo de tuberculina de Mantoux, e um exame de sangue. No primeiro, é injectada sob a pele do antebraço uma pequena quantidade de tuberculina. Após dois a três dias, é feita uma avaliação e, havendo reacção cutânea com vermelhidão e uma pápula que se mede, considera-se que a pessoa teve contacto com o bacilo da tuberculose.
Testes adicionais de sangue são necessários para determinar se o indivíduo tem uma tuberculose latente ou se tem a doença em curso. Para determinar se uma infecção está activa ou se os pulmões estão infectados fazem-se exames de expectoração e de líquido pulmonar, RX e tomografia computadorizada torácica.
Na manhã desta quarta-feira, 4 de Novembro, aos jornalistas, Susana Gonçalves, da Autoridade de Saúde Regional, esclareceu que o rastreio da tuberculose começa com um questionário, para identificar eventuais sintomas.
Tratamento
O tratamento da tuberculose é feito com medicamentos administrados por via oral (comprimidos, cápsulas ou xarope). A duração mínima da terapêutica é de seis meses, variando em função do órgão envolvido, evolução ou gravidade da doença, podendo ser superior a um ano.
O tratamento feito correctamente permite a cura da doença em mais de 95% dos casos. É, portanto, fundamental o cumprimento rigoroso da medicação, de modo a evitar-se o desenvolvimento de resistências.
A maioria das situações é tratada em regime de ambulatório, sem necessidade de internamento. Este justifica-se em casos de doença mais grave ou para doentes sem condições sociais/psicológicas para evitar o contágio ou manter o cumprimento da medicação prescrita.
Prevenção
Tal como foi vincado pela Autoridade de Saúde Regional, é importante o rastreio dos contactos próximos dos doentes com tuberculose (principalmente pulmonar ou das vias aéreas superiores). Além de possibilitar a detecção de novos casos, permite também diagnosticar os casos latentes e tratá-los.
Foi, ainda, explicado por Susana Gonçalves que a vacina BCG (bacilo de Calmette-Guérin) tem utilidade na prevenção das formas graves e disseminadas na criança, apesar de não evitar o contágio ou mesmo o desenvolvimento de doença. Todos os recém-nascidos devem ser vacinados. A revacinação ao longo da vida não aumenta o grau de proteção não sendo, por isso, aconselhada.