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Rostos da Autonomia Madeira

Um regresso anunciado

Pedro Calado é o entrevistado do podcast ‘Rostos da Autonomia’ (https://podcasts.dnoticias.pt/rostos-da-autonomia/), uma iniciativa do DIÁRIO com o apoio da Assembleia Legislativa da Madeira e que pode ver e ouvir, hoje, em dnoticias.pt e na TSF-Madeira.

Uma conversa sobre o percurso de um político que foi apontado como o sucessor natural do actual presidente do Governo Regional e do PSD, Miguel Albuquerque, mas que, em Janeiro de 2024 se viu envolvido num processo judicial que fazia prever o fim de uma carreira política. Na edição de ontem, o DIÁRIO publicou uma parte importante da entrevista com Pedro Calado, em que assume que quer regressar à política e não exclui a liderança do partido. Só não avança contra Albuquerque.

Pedro Calado nasceu em Outubro de 1971, em Lisboa, tem uma irmão gémeo, Vítor e passou os primeiros anos de vida em Moçambique, onde a mãe trabalhava na Messe Militar e o pai, madeirense, era delegado de propaganda médica.

“Com três meses de vida fomos para Moçambique onde vivi até ao início de 1974. A minha mãe trabalhava na Messe Militar e o meu pai era delegado de propaganda médica. Havia muitos madeirenses que viviam em Moçambique e Angola. A minha mãe é angolana, nasceu, cresceu e estudou em Angola e só aos 16 anos veio para o continente, para viver com umas freiras e estudar e foi lá que acabou por conhecer o meu pai. Em 1974, no início, os meus pais aperceberam-se, por contactos que já tinham na altura, que alguma coisa iria acontecer e com algum receio, para não virem desprevenidos, passámos pro Angola e regressámos à Madeira um pouco antes da revolução. Com a revolução muitos portugueses perderam o que tinham. Aos meus tios e avós maternos aconteceu-lhes exactamente isso. Vieram com roupa que tinham no corpo", recorda.

A família regressa a Portugal pouco antes do 25 de Abril de 1974 e vem para a Madeira.

“Fiquei na Madeira de 1974 a 1989. Fiz aqui os meus estudos e em 1989/90, no primeiro ano de Prova Geral de Acesso, deveríamos ter isso para o continente em Setembro e só em final e Janeiro ou início de Fevereiro começámos o ano lectivo".

Pedro Calado estuda gestão, em Santarém, no Instituto Superior de Gestão e termina a licenciatura na Universidade Nova de Lisboa,

Regressa à Madeira e trabalha em empresas de consultoria e na banca.

“Acabei a licenciatura em 1994, já a trabalhar desde o terceiro ano. Os tempos não eram fáceis e com dois filhos a estudar no continente, passámos algumas dificuldades. Fui bolseiro e daí ter sentido a necessidade de trabalhar enquanto estudava. Quando acabei o curso comecei a trabalhar na KPMG, uma empresa de auditoria, em Lisboa até me convidarem para abrir os escritórios da empresa na Madeira. Regressei à Madeira em 1998 e depois desenvolvi a minha actividade. Estive na banca cinco anos, fiz auditoria, acompanhei algumas empresas na área financeira".

Simpatizante do PSD, apenas tinha aderido à ‘jota’ e não tinha actividade política e só em 2005 é convidado por Miguel Albuquerque para integrar uma nova lista candidata à Câmara do Funchal. Faz todo o mandato 2005-2009 e volta a integrar a lista do PSD que conquista nova maioria absoluta para o período 2009-203.

Um mandato que é marcado pelo choque interno no PSD, entre Alberto João Jardim e Miguel Albuquerque que culmina, em 2012, numa disputa pela liderança do partido. Calado está sempre ao lado de Albuquerque que perde por poucas dezenas de votos mas, em 2014, já depois do desastre eleitoral do PSD nas ‘autárquicas’ de 2013, ganha o partido e, em 2015, as eleições regionais.

Pedro Calado não vai para o Governo Regional mas entra a meio do mandato, em 2017, como vice-presidente e com a missão de organizar o Executivo. Um trabalho que terá contribuído para vitória social-democrata, em 2019, contra o PS de Paulo Cafôfo que era apontado como favorito.

Desta vez Pedro Calado entre de início no Executivo mas, em 2021, encabeça a candidatura do PSD à Câmara do Funchal e consegue recuperar o maior município da Região que era governado pelo PS desde 2013.

É nessas funções que se vê envolvido, em Janeiro de 2024, num processo de suspeitas de corrupção que levam à sua detenção. Quase três anos depois, o processo ainda não avançou.

Episódios que recorda e que já foram publicados na edição impressa de 31 de Outubro e que pode ver e ouvir no podcast 'Rostos da Autonomia'.

Uma entrevista em que assume que quer "regressar" à política e só não avança para a liderança do PSD se Miguel Albuquerque continuar.

Também garante que o processo judicial teve apenas intenções políticas e que nenhuam das suspeitas tem fundamento.