Sofia Ribeiro quer mais divulgação da música venezuelana em Portugal
A cantora portuguesa de jazz Sofia Ribeiro apelou hoje a uma maior divulgação da música da Venezuela em Portugal no fim duma visita ao país, em que ficou surpreendida pela musicalidade dos venezuelanos.
"A música venezuelana é pouco conhecida [em Portugal] e eu própria fiquei muito surpreendida, a primeira vez que vim à Venezuela, quando vi que havia tanta musicalidade nas pessoas. Eu não estava à espera, seria muito bom que houvesse mais essa comunicação entre os dos países, e que a Venezuela fosse mais conhecida, não só pelos problemas que vive", disse à Lusa.
A cantora, que já esteve duas vezes na Venezuela, terminou a visita após participar em Caracas e la Guaira no IV Festival Euro-venezuelano de Jazz, que reuniu músicos de oito países em solidariedade com os afetados pelo duplo sismo de 24 de junho.
Acompanhada pelo pianista colombiano João Andrés Ospina, Sofia Ribeiro participou ainda na gala de solidariedade "Uma Mão Amiga", promovida pela Embaixada de Portugal em Caracas, que reuniu mais de 400 pessoas no Centro Português.
"A Venezuela acaba a ser muito conhecida pela questão política, pelas dificuldades, e gostava muito que fosse mais conhecida pelo talento imenso que há aqui", disse a artista, que aproveitou a deslocação para dar a conhecer alguns temas do seu último álbum "Lá Fora", que será apresentado a este mês em Lisboa e no Porto.
À Lusa, revelou que o tema "Lá Fora" fala de uma tempestade que está a passar no exterior, que não se sabe quanto tempo vai durar, mas que a poesia surge dela.
"Os meus amores", a primeira música que escreveu, com ar de fado, remonta à pandemia da covid-19, e fala de "quando nada faz sentido, o vazio chama uma canção para levar a um lugar de calor e de calma", porque "a música e a vida dão sentido aos momentos que parecem não ter sentido".
Considerou "muito interessante" estar na Venezuela, em particular em La Guaira, o estado mais afetado pelo duplo sismo, assim como dar um concerto com fins de solidariedade.
"A minha experiência de vida é completamente diferente da de uma pessoa que está em La Guaira e que acaba de passar pelo terramoto, mas que, se calhar, temos mais coisas em comum (...) eu não consigo sequer imaginar o que é que as pessoas passaram aqui", disse, precisando que este ano, também passou por "situações pessoais muito difíceis", entre elas a morte do pai.
"Portanto, eu senti que é muito especial estar aqui a cantar neste momento na Venezuela, porque através da música, estas emoções mais difíceis, a tristeza e o luto, acho que se transformam e torna-se mais fácil senti-las e de lidar com elas", disse.
Apesar de tudo, ficou sensibilizada por ter visto alegria, força e resiliência nos venezuelanos.
Sobre o novo projeto, que inclui guitarra portuguesa e mais fado, frisou ainda que "é quase inevitável" por ser portuguesa e porque está a abraçar mais as suas raízes portuguesas.