A música e o bem-estar dos nossos animais
Quando pensamos nos efeitos da música, é natural associá-los primeiro às pessoas. No entanto, cada vez mais estudos indicam que determinados sons e estilos musicais podem contribuir para o bem-estar dos animais, sobretudo em situações de stress.
Os animais vivem num mundo sonoro muito diferente do nosso. Cães e gatos possuem uma capacidade auditiva bastante superior à dos seres humanos e conseguem detetar frequências que nós não conseguimos ouvir. Por isso, não devemos partir do princípio de que aquilo que é agradável para nós também o será para eles. Pelo contrário, escolher música para um animal exige atenção às suas características e às suas reações.
No caso dos cães, existem vários estudos que apontam para efeitos positivos da música calma. Em situações como uma ida ao veterinário, uma viagem de carro ou a permanência num canil, alguns animais podem demonstrar sinais evidentes de ansiedade, como tremores, respiração ofegante ou inquietação. Nestas circunstâncias, determinados estímulos musicais podem ajudar a criar um ambiente mais tranquilo.
Um estudo realizado pela Universidade de Glasgow mostrou que a música, de forma geral, pode favorecer comportamentos associados ao relaxamento. O reggae e o soft rock destacaram-se pelos efeitos observados na redução de alguns indicadores físicos de stress.
Estes resultados são particularmente interessantes porque contrariam a ideia de que apenas a música clássica pode acalmar os animais. Na realidade, características como o ritmo, a intensidade e a presença, ou ausência, de percussão, parecem ser importantes. Não se trata simplesmente de escolher um determinado género musical, mas de perceber que tipo de som é mais confortável para cada animal.
Quanto aos gatos, a sua relação com a música parece ser ainda mais específica. Os gatos têm uma audição ainda mais desenvolvida (sobretudo quanto aos agudos) e podem reagir de forma intensa a sons que nós quase não valorizamos. Alguns estudos realizados em ambientes veterinários observaram que determinadas músicas instrumentais suaves podem contribuir para diminuir a frequência cardíaca, a frequência respiratória e a agitação dos felinos.
Outras investigações até sugerem que os gatos podem responder melhor a músicas criadas especificamente para a espécie, utilizando frequências e ritmos semelhantes aos das suas vocalizações.
Apesar destes benefícios, parece fundamental não transformar a música numa solução universal para todos os problemas dos animais. Nem todos os cães ou gatos reagem da mesma maneira. Uma música que acalma um animal pode não produzir qualquer efeito noutro e, em alguns casos, pode até provocar desconforto.
Outro aspeto que merece atenção é a habituação. Se a mesma música for reproduzida continuamente, o animal pode deixar de reagir. Por esse motivo, variar as músicas e observar o comportamento do animal parece ser uma estratégia mais sensata do que a repetição.
Em resumo, a música pode ser um recurso interessante para melhorar o ambiente em que vivem os nossos animais de estimação, mas o mais importante é observar e perceber a reação do animal.
No fundo, esta questão lembra-nos algo essencial: cuidar de um animal não significa apenas garantir alimentação, abrigo e cuidados veterinários. Significa também procurar compreender aquilo que o faz sentir-se seguro e confortável. Se uma música suave pode ajudar a reduzir o stress de um cão ou de um gato, então vale a pena explorar essa possibilidade. Afinal, proporcionar bem-estar aos animais também passa por aprender a ouvir aquilo que eles não conseguem dizer com palavras.