Avaliar escolas pelas notas simplifica realidades complexas, considera FNE
A Federação Nacional da Educação (FNE) considerou ontem que avaliar o trabalho das escolas com base nas classificações nos exames nacionais simplifica realidades complexas e ignora contextos socioeconómicos dos alunos, recursos disponíveis e condições de trabalho.
"Uma classificação baseada nas notas dos exames revela resultados, mas não explica as condições em que foram alcançados", escreve a federação sindical em comunicado, a propósito da divulgação dos 'rankings' das escolas.
Nos primeiros 50 lugares da lista que ordena as notas nos exames nacionais de escolas públicas e privadas, aparecem apenas quatro escolas públicas e a primeira surge só no 38.º lugar, segundo uma análise feita pela Lusa aos dados divulgados pelo ministério da Educação.
Para a FNE, essa ordenação não permite, no entanto, avaliar e comparar "com justiça e rigor" a qualidade do trabalho desenvolvido pelas escolas.
Considerando que ter como único indicador a classificação média nos exames nacionais do ensino secundário, os representantes dos professores sublinham a necessidade de olhar como outros fatores como a diversidade das populações escolares, os apoios educativos disponíveis, a estabilidade das equipas docentes, ou número de alunos por turma.
"Estas perguntas não diminuem o mérito dos alunos e dos profissionais de qualquer escola. Permitem reconhecer esse mérito com maior rigor, evitando uma tabela de resultados seja apresentada como uma avaliação global da qualidade de cada estabelecimento de ensino", justificam.
Por outro lado, a FNE defende a valorização das escolas pela "capacidade de superar dificuldades, de incluir e de criar oportunidades", uma análise possível com base no indicador de equidade que acompanha os alunos com ação social escolar e compara o seu sucesso escolar com a média nacional dos alunos com um perfil semelhante à entrada de cada ciclo de estudos.
Segundo a análise feita pela Lusa, os estabelecimentos onde o contexto socioeconómico mais penaliza os alunos são também aqueles que mais sofrem com a falta de professores.
Os resultados dos alunos do secundário que realizaram provas em 2025 mostram ainda que a maioria das escolas públicas com melhores classificações nos exames são as que têm menos alunos carenciados.
Ainda assim, a maioria das escolas públicas consegue contrariar o impacto da pobreza no insucesso escolar.
Apesar das críticas, a FNE não desvaloriza a informação disponibilizada através dos 'rankings', que pode ajudar a identificar dificuldades, valorizar boas práticas e orientar medidas de melhoria.
"Mais importante do que qualquer 'ranking' é garantir as condições necessária ao sucesso escolar de todos os alunos e assegurar aos profissionais da educação condições de trabalho que permitam exercer as suas funções com qualidade, dignidade e reconhecimento", defende a federação sindical.