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Mais de 600 são-tomenses candidatam-se a 100 vagas para obras em Portugal

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Mais de 600 são-tomenses candidataram-se para 100 vagas de emprego na construção civil em Portugal, disse hoje o representante da empresa portuguesa que se deslocou ao arquipélago para a seleção, com ofertas salariais acima de mil euros. 

"Nós neste momento em Portugal estamos carentes de mão-de-obra qualificada e semiqualificada, que não há para trabalhar", disse à Lusa o diretor de recursos humanos da empresa Cândido de José Rodrigues (CJR), Pedro Maia.

Segundo o responsável, a contratação enquadra-se num projeto de migração laboral financiado pela União Europeia em parceria com Fundo Europeu de Asilo, Migração e Integração (FAMI), com duração inicial de dois anos.

"Portugal, infelizmente, é o país que menos paga em relação ao resto da Europa, daí o investimento da União Europeia em Portugal para ajudar as empresas e recrutar fora de Portugal", disse.

A empresa garante toda a logística, apoio à legalização, alojamento com água e luz, alimentação, formação contínua e progressão na carreira, e ainda apoio na compra das passagens aéreas aos selecionados para várias áreas da construção civil, afirmou.

Segundo Pedro Maia, mais de 600 candidatos tinham sido ouvidos até à manhã de hoje, com candidaturas que qualificou de "muito interessantes", e havia ainda muitos na lista para serem ouvidos.

Edilson Pereira, com 46 anos e pai de seis filhos, trabalha como sapateiro, mas disse à Lusa que já trabalhou em vários setores da construção civil, assim como na carpintaria e marcenaria, incluindo com empresas portuguesas em São Tomé.

Para ele, esta "é uma oportunidade bem grande" para ganhar mais e poder poupar para, em pelo menos cinco anos, conseguir comprar melhores equipamentos e materiais para estruturar o trabalho na sapataria.

"São-tomense sabe trabalhar, mesmo sem diploma, trabalham bem (...), mas (...) oportunidade é que não há", sublinhou Edilson Pereira, declarando-se preparado para "o trabalho duro" em Portugal, mas "com melhores salários".

Lodica Neves, de 47 anos, contou que trabalha no setor desde 2011, incluindo com empresas portuguesas, tendo criado recentemente a própria empresa que dá emprego a cerca de 40 pessoas, envolvidas na construção da Marginal de São Tomé.

Com a obra da Marginal na reta final, Lodica Neves disse-se mergulhado na incerteza, assim como os seus colaboradores. Por isso, apesar de já ter estado em Portugal, de onde regressou recentemente, tem um visto válido até ao próximo ano e não quer perder a oportunidade de emigrar com um emprego garantido.

"Toda gente quer essa oportunidade", defendeu Lodica Neves, alertando que o Governo são-tomense não tem capacidade para criar empregos para os jovens que têm tido como a principal saída o trabalho com mototáxi.

"Eu vejo que quem vai ficar a perder 100% é o país (...), enquanto não houver emprego todos estão a ir embora para Portugal. Daqui a um ano, São Tomé não terá pessoas para trabalhar nas obras", alertou.

Kimilde Pires integra o grupo de cerca de 100 pessoas que ainda aguardavam para serem chamados para a entrevista, por isso não escondeu a preocupação e o receio de lhe ver escapar a oportunidade, apesar de saber que a empresa selecionará apenas cerca de 100 pessoas.

"É só coragem e sorte. Se vão selecionar só 100 a 150 pessoas, vai ser muito difícil. Aqui tem mais de cem pessoas", apontou.

Kemilde tem 37 anos e é pai de três filhos menores, mas não tem dúvidas de que "esta oportunidade é boa" e reflete a situação do país.

"Se o país estivesse bom, não estaria tanta gente aqui [...] mão-de-obra aqui não ajuda muito. Podemos trabalhar bastante, mas salário não ajuda e é por isso que muitas pessoas procuram emigrar", explicou.

"Mas o país é bom, agora falta emprego", fez questão de sublinhar Kemilde Pires, acrescentando que, se for selecionado e "a coisa correr bem", poderá regressar a São Tomé ou "mandar chamar a família".