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Rússia recrutou mais de 1.200 africanos este ano para combater na Ucrânia

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A Rússia recrutou este ano mais de 1.200 cidadãos do Burundi e do Zimbabué para combaterem na Ucrânia, para além de um número indeterminado da República Democrática do Congo, Serra Leoa, Sudão e Camarões, segundo um relatório da ONU.

Entre 1 de Janeiro e 30 de Setembro, a Rússia recrutou 699 homens do Burundi, em comparação com 30 em todo o ano de 2025, e 530 zimbabueanos, contra 65 anteriormente, num total de 1.229 só destes dois países, segundo o mais recente relatório da Comissão Internacional Independente de Inquérito das Nações Unidas, citado pela agência de informação Bloomberg.

Entre outros países que registaram aumentos significativos no número de recrutados estão a República Democrática do Congo, a Serra Leoa, o Sudão e os Camarões, num contexto em que as autoridades russas "traficaram pessoas de 29 países, recorrendo ao engano ou à coação, para as recrutar para as suas forças armadas".

No recrutamento usaram ofertas de bónus de contratação e salários substanciais, simplificação em obter a cidadania russa, de acordo com relatos de familiares.

No total, desde o início do conflito, em 2022, a Ucrânia identificou 45.959 estrangeiros de 151 países que assinaram contratos com as forças armadas russas e, destes, 5.451 são africanos, de acordo com a apresentação da comissão da ONU.

A Rússia tem sido recorrentemente acusada, pela Ucrânia mas também por organizações internacionais, de aumentar o número de africanos que recruta para fazer face à escassez de efetivos nas suas forças armadas.

O relatório e as notícias foram divulgadas qaundo decorre a cimeira Rússia-África, em Moscovo, com a participação de 22 chefes de Estado africanos e uma representação diplomática oficial de 48 países do continente, incluindo os presidentes lusófonos Daniel Chapo e Teodoro Obiang, de Moçambique e da Guiné Equatorial, respetivamente.

Para o presidente da Rússia, a cimeira "faz parte de um esforço concertado para persuadir o sul global de que o país está a lutar em nome da "maioria global" contra o "neocolonialismo", escreve a revista Economist num artigo em que analisa o aumento da influência política e diplomática da Rússia em África.

"A Rússia intensificou as tentativas de conquistar os corações e as mentes dos africanos através da diplomacia cultural, da Igreja Ortodoxa, do ensino superior, de associações profissionais, de iniciativas mediáticas e da desinformação", escreve a revista, apontando para a mais recente 'Casa da Rússia', inaugurada em São Tomé e Príncipe, em setembro, como exemplo.

A Rússia nunca reconheceu publicamente que recorre a estrangeiros para combater a Ucrânia, mas os países africanos têm tornado publicas tentativas de aliciamento dos seus cidadãos.

Os governos do Botsuana e da África do Sul emitiram avisos contra a aceitação de empregos na Rússia e o Zimbabué deteve dois cidadãos russos suspeitos de recrutarem para as forças armadas.

Os governos do Quénia e do Gana solicitaram diretamente à Rússia que cesse essa atividade, e políticos quenianos afirmaram que pelo menos mil cidadãos seus foram recrutados pela Rússia.

A III Cimeira Rússia-África arrancou hoje em Moscovo, com o programa a integrar intervenções de responsáveis moçambicanos em painéis dedicados à cooperação nos transportes, à memória histórica e ao combate ao neocolonialismo.

O Fórum Económico e Humanitário Rússia--África, que corresponde às sessões empresariais, decorre paralelamente sob o tema "Juntos desenvolvemos uma cooperação mutuamente vantajosa e o potencial de cada país da África".

A Cimeira Rússia-África teve a sua primeira edição em outubro de 2019, em Sochi, sob o lema "Pela Paz, Segurança e Desenvolvimento", fixando desde então, segundo a organização, as prioridades da cooperação política, económica e científico-técnica entre Moscovo e os países do continente africano.

Durante o encontro, os chefes de Estado deverão adotar três documentos, a Declaração da 3.ª Cimeira Rússia-África, o Plano de Ação 2027-2029 e a Declaração sobre a Cooperação no Domínio do Uso Pacífico das Tecnologias de Inteligência Artificial.