Expedição científica identifica corais e espécies vulneráveis
Expedição decorreu de 2 a 28 de Outubro e reuniu mais de 200 participantes
A expedição científica Madeira Ocean identificou jardins de corais, florestas de algas castanhas e espécies vulneráveis em zonas marinhas pouco estudadas, incluindo áreas a norte da Madeira até aos 1.000 metros de profundidade. Os resultados preliminares foram apresentados esta quarta-feira, após cinco semanas de investigação na Madeira, no Porto Santo, nas Ilhas Desertas e no monte submarino Seine.
Entre as descobertas destacam-se jardins de corais ao largo do Porto Santo, florestas de algas castanhas entre os 80 e os 100 metros de profundidade e mais de cinco espécies de raias classificadas como vulneráveis, ameaçadas ou em perigo de extinção. No mar profundo, foram identificadas espécies indicadoras de ecossistemas marinhos vulneráveis, cujos dados poderão contribuir para identificar novas áreas prioritárias para a conservação.
“Os primeiros resultados indicam que a protecção funciona”, afirmou João Canning-Clode, coordenador científico da expedição, destacando a observação de agregações de meros juvenis dentro e fora das Áreas Marinhas Protegidas (AMP). Foram também registados meros e badejos juvenis, bem como peixes de maior dimensão no interior destas zonas.
“Vimos poucos tubarões ao longo desta campanha e vimos vários ecossistemas vulneráveis que necessitam de conservação”, acrescentou.
A investigação incluiu ainda a colocação, pela primeira vez no Atlântico Nordeste, de um dispositivo de seguimento por satélite numa baleia de bico de Blainville, por investigadores do MARE-Madeira/ARDITI, para acompanhar os movimentos da espécie.
Ao largo do Porto Santo, os locais conhecidos como Jardim de Ariel e Rocha de Sebastião revelaram jardins densos de corais, incluindo espécies vulneráveis e com interesse para a conservação, bem como uma elevada densidade de peixes.
O relatório científico deverá ser publicado no início de 2027. Está também prevista uma nova expedição no próximo ano, dedicada a outras áreas marinhas protegidas.
Além dos resultados científicos, a dimensão humana foi um dos aspectos marcantes da iniciativa, salientou João Canning-Clode. “O que mais me marcou foram as pessoas: senti, de forma muito clara, que todos os participantes acreditam neste projecto”, realçou.