Blocos de Gadi Eisenkot e Netanyahu empatados em Israel
As eleições legislativas de terça-feira em Israel terminaram sem que seja possível apurar um claro vencedor, segundo novas projeções divulgadas hoje de madrugada, adensando o impasse político em torno da formação de um futuro Governo.
O bloco pró-governamental, liderado pelo primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, e o chamado bloco da mudança, liderado pelo centrista Gadi Eisenkot, surgem agora empatados nas eleições legislativas, com 51 lugares no parlamento, segundo as novas projeções à boca das urnas.
As novas projeções, divulgadas pelos canais de televisão 11 e 13, apontam para um empate entre os dois blocos, enquanto o Canal 12, que originalmente atribuía uma ligeira vantagem a Eisenkot, passou a dar 52 lugares ao bloco de Netanyahu contra 50 do ex-general do exército israelita.
Inicialmente, o canal 11 dava também 52 lugares ao bloco de Eisenkot contra 50 de Netanyahu, mas passou a atribuir 51 lugares a cada.
Este canal apontou um crescimento de 25 para 27 lugares para o partido de Netanyahu, o Likud, enquanto registou descidas no partido Os Democratas - que integra a coligação de Eisenkot - (passou de 10 para nove lugares) e no Otzma Yehudit (Poder Judaico) - que faz parte da coligação de Netanyahu - que passou de sete para seis lugares.
Nas três projeções, o Likud é o partido individualmente mais votado (24 a 27 deputados).
Já madrugada em Telavive, o líder do partido Yashar!, Gadi Eisenkot, afirmou que quer formar Governo e opõe-se à realização de novas eleições.
Diante dos seus apoiantes, Eisenkot também se dirigiu a Benjamin Netanyahu - que ainda não tinha reagido publicamente às projeções.
"Nem sequer tente usar a segurança de Israel para fins políticos", disse, numa aparente referência às recentes declarações do primeiro-ministro israelita sobre a ameaça iraniana.
Na sua intervenção, o antigo chefe do Exército israelita afirmou que fará "todos os possíveis para formar um Governo sionista", que represente "todos os cidadãos de Israel por igual".
Mas outras reações foram conhecidas ao longo da noite.
Logo após serem divulgadas as primeiras projeções dos canais israelitas, o líder do partido de oposição B'Yachad (Juntos), Yair Lapid, afirmou que Netanyahu tinha sofrido uma "derrota esmagadora" nas eleições.
"Que ninguém se deixe enganar: o bloco de Netanyahu sofreu uma derrota esmagadora. Trata-se de um colapso total, e os cidadãos mandaram-nos para casa", disse o ex-primeiro-ministro numa mensagem divulgada pelo partido.
Já o líder do partido de esquerda Os Democratas, Yair Golán, disse também antes da divulgação das novas sondagens estar disponível para trabalhar com "todos os seus parceiros" da oposição para formar um Governo.
A chave para a formação de um novo Governo poderá muito bem residir nos partidos árabes, o Ra'am e a Lista Conjunta.
Mesmo com as novas projeções dos diferentes canais, no seu todo, estas formações políticas poderão atingir até 19 lugares no Knesset (parlamento), um claro recorde, batendo o melhor resultado que tinha sido alcançado nas eleições de 2020, em que arrecadaram 15 lugares.
Após a divulgação das primeiras projeções, o líder do partido Ra'am (Lista Árabe Unida) afirmou que tinha sido contactado pelos dois grandes blocos,
De acordo com o jornal The Times of Israel, Mansour Abbas afirmou que "toda a gente" estava a falar com o seu partido, com os contactos a não virem "apenas do bloco da mudança", sugerindo que elementos do bloco associado ao Governo de Netanyahu também o terão abordado.
Abbas mostrou a sua disponibilidade para se juntar a um Governo encabeçado pelo líder do partido Yashar!, mas considerou que antes é preciso assegurar que tal coligação seria viável.
As eleições em Israel terminaram na terça-feira sem um vencedor claro, pelo que provavelmente dará início a um período de intensas conversações, que poderá demorar semanas ou mesmo meses, entre os diferentes partidos.
Todas as sondagens deixam claro que nenhum dos blocos será capaz de obter os 61 lugares necessários para uma maioria parlamentar.
Os israelitas votaram numa eleição tensa, amplamente vista como um referendo sobre a liderança de Netanyahu desde o ataque do Hamas a Israel, em 07 de outubro de 2023, e as guerras que, desde então, têm abalado o Médio Oriente.
Os israelitas votam em partidos, que depois formam alianças para criar uma coligação maioritária.
Nunca um único partido conseguiu obter uma maioria de 61 lugares no parlamento de 120 membros.